UM BL ONDE O ROMANCE É O TEMPERO E A POLÍTICA É O PRATO PRINCIPAL!
Quem disse que BL precisa viver apenas de romance? "Mandate" resolveu pegar o gênero, jogar no meio da política tailandesa e ver no que dava. E olha, a experiência foi muito mais interessante do que eu imaginava. Entre disputas de poder, interesses políticos, conflitos familiares, intrigas e um romance inusitado no meio desse caos, a série encontrou uma proposta bastante diferente dentro do gênero. Mas será que essa ousadia funcionou até o final? A série é literalmente uma crítica social nua e crua sobre a política e seus bastidores, além de abordar como esse universo pode afetar alguém que entra nele carregando seus próprios valores, convicções e ideais de mudança. Mesmo que o cenário político apresentado seja o da Tailândia, as situações discutidas ultrapassam facilmente suas fronteiras.
Corrupção, manipulação, interesses pessoais, jogos de poder e a transformação de ideais em moeda de troca são questões que tornam a história muito mais próxima da nossa realidade do que eu esperava. E talvez seja justamente aí que "Mandate" encontre sua maior força: ao invés de tratar a política apenas como pano de fundo para o romance, ela coloca esse sistema no centro da discussão. E mostra como é fácil se perder entre aquilo que você acredita e aquilo que precisa fazer para sobreviver dentro dele. O personagem do Dr. Nong demonstra isso de forma excepcional em sua desconstrução gradativa, passando de um médico rural a um político que tenta, a todo custo, não se tornar parte dessa máquina corrompida. E acompanhar essa transformação foi maravilhoso porque uma das coisas que a gente percebe ao longo da história é que não existem heróis ou vilões absolutos.
Mesmo com boas intenções, os personagens acabam fazendo o necessário para conseguir o que querem ou são obrigados a tomar determinadas decisões pelo bem comum. O enredo demonstra com maestria esse jogo político de favores, acordos, concessões e chantagens, mostrando que, nesse universo, quase nada é feito sem que exista algum interesse ou consequência por trás. E o que eu mais gostei nessa trajetória foi justamente acompanhar o conflito de Nong entre o homem que ele sempre foi e o político que aquele ambiente exigia que ele se tornasse. Ele entra nesse universo acreditando que seus princípios e sua vontade de fazer a diferença seriam suficientes para enfrentar um sistema tão complexo, mas a realidade começa a colocar essas certezas à prova. Aos poucos, ele percebe que nem sempre existe uma escolha completamente certa ou errada e que permanecer fiel aos próprios ideais pode exigir sacrifícios que jamais imaginou fazer. A cada nova situação, Nong precisa rever suas convicções, aprender com seus erros, amadurecer e descobrir até onde está disposto a ir sem abrir mão daquilo que o fez entrar na política em primeiro lugar. E ele consegue? Só assistindo para vocês saberem. Mas, além de seus ideais, também somos confrontados com o passado e as escolhas de Nong, descobrindo que nem tudo é tão perfeito e limpo como a gente imaginava. Esse passado também é uma peça importante para entendermos quem ele é, principalmente seu caráter e seus valores. Por trás do médico idealista e do político que tenta encontrar seu espaço, existe um homem carregando arrependimentos, responsabilidades, culpa e decisões que ainda pesam sobre ele. Isso o torna humano e falho, e acabou afetando algumas vezes minha empatia e minha torcida por ele. E se Nong representa o idealismo tentando sobreviver dentro da política, Vee representa justamente o outro lado desse jogo. Ele conhece as regras, entende como esse sistema funciona e sabe que nem sempre é possível agir apenas de acordo com aquilo que se considera certo.
Vee foi um dos meus personagens favoritos por ser um homem assumidamente gay, empoderado, superinteligente, calculista, frio e um excelente jogador. Mas ele também revela seu lado humano através de seus ideais, traumas, conflitos familiares e da paixão pelo que acredita. E é justamente essa complexidade que torna sua relação com Nong tão interessante. Sendo bem sincero, a relação entre Nong e Vee é bastante secundária dentro desse denso enredo político. Não existe uma construção de sentimentos e relacionamento como estamos acostumados a ver em obras do gênero. Ela acontece de forma orgânica, simplesmente surgindo em meio ao pandemônio político que os dois enfrentam. Apesar de exalarem uma química natural, uma beleza saborosa e uma tensão sexual latente, faltam grandes gestos de amor ou aqueles beijos apaixonados que a gente tanto espera. Mal ganhamos um quengaral e, na minha opinião, o fogo deles acendia uma vela somente. O que mais se destacou para mim foram os momentos dos dois como ship político, as brincadeiras fofas e os carinhos trocados. Foram essas pequenas interações que me deram um pouco do BL que eu queria assistir, mas confesso que foram migalhas. E no fim, isso faz sentido dentro da proposta da série, porque, como já falei, o romance nunca foi o foco de "Mandate". Ele funciona muito mais como um tempero para aliviar a densidade do drama político do que como o prato principal.
Tecnicamente, "Mandate" também me chamou atenção pelo cuidado em construir esse universo político. Os figurinos não estão ali apenas para deixar os personagens elegantes, mas ajudam a contar quem eles são e de onde vieram. Isso fica especialmente evidente em Nong, cuja aparência vai mudando conforme ele entra nesse novo mundo, enquanto Vee mantém uma imagem mais sofisticada e alinhada à sua posição. Os cenários também ajudam a criar essa sensação de realidade política, demonstrando que a série não dependeu apenas dos diálogos para construir seu universo. Pesquisando, vi que esse cuidado conversa com a própria proposta da produção, que buscou tratar política e moda como elementos importantes de sua identidade visual.
Destaque também para o elenco coadjuvante, que entregou personagens muito marcantes, como a maravilhosa e feroz repórter Gale; o inescrupuloso Khunnawut, pai de Vee e líder do partido; o amigo de Nong e fotógrafo Jump; o carismático Neng, pai de Nong; e Sun, o charmoso e implacável ex-namorado de Vee e líder do partido opositor. Cada um trouxe uma personalidade diferente para a trama e ajudou a movimentar esse complicado jogo político. E não posso deixar de mencionar o restante do elenco secundário, que também não deixou nada a desejar e cumpriu muito bem seu papel, fazendo com que até os personagens com menos tempo em cena tivessem importância dentro da história.
Finalizando, minha nota vai ser um satisfeitíssimo 0️⃣9️⃣. Não chegou ao 10 porque, para mim, algumas pontas ficaram soltas e mereciam mais atenção. Com tantos plots importantes acontecendo um atrás do outro, algumas questões acabaram sendo apagadas ou simplesmente esquecidas pelo caminho. E ainda temos aquele final em aberto, que praticamente grita por uma segunda temporada. Será? O encerramento realmente deixa espaço para uma continuação, embora uma segunda temporada não esteja confirmada, segundo eu verifiquei. Mesmo assim, "Mandate" conseguiu entregar exatamente o que prometeu: um drama político com crítica social, sem transformar esse tema em algo chato ou tedioso. Tivemos reviravoltas inesperadas, tensão no limite, personagens bem construídos, atuações excelentes e um romance leve como bônus. E, para completar, assistir a essa série justamente durante o período eleitoral aqui no Brasil me fez refletir ainda mais sobre a política que vivenciamos atualmente.
📌 Nota: 09/10 👔❤️📊
Recomendo ⭐⭐⭐⭐⭐
Corrupção, manipulação, interesses pessoais, jogos de poder e a transformação de ideais em moeda de troca são questões que tornam a história muito mais próxima da nossa realidade do que eu esperava. E talvez seja justamente aí que "Mandate" encontre sua maior força: ao invés de tratar a política apenas como pano de fundo para o romance, ela coloca esse sistema no centro da discussão. E mostra como é fácil se perder entre aquilo que você acredita e aquilo que precisa fazer para sobreviver dentro dele. O personagem do Dr. Nong demonstra isso de forma excepcional em sua desconstrução gradativa, passando de um médico rural a um político que tenta, a todo custo, não se tornar parte dessa máquina corrompida. E acompanhar essa transformação foi maravilhoso porque uma das coisas que a gente percebe ao longo da história é que não existem heróis ou vilões absolutos.
Mesmo com boas intenções, os personagens acabam fazendo o necessário para conseguir o que querem ou são obrigados a tomar determinadas decisões pelo bem comum. O enredo demonstra com maestria esse jogo político de favores, acordos, concessões e chantagens, mostrando que, nesse universo, quase nada é feito sem que exista algum interesse ou consequência por trás. E o que eu mais gostei nessa trajetória foi justamente acompanhar o conflito de Nong entre o homem que ele sempre foi e o político que aquele ambiente exigia que ele se tornasse. Ele entra nesse universo acreditando que seus princípios e sua vontade de fazer a diferença seriam suficientes para enfrentar um sistema tão complexo, mas a realidade começa a colocar essas certezas à prova. Aos poucos, ele percebe que nem sempre existe uma escolha completamente certa ou errada e que permanecer fiel aos próprios ideais pode exigir sacrifícios que jamais imaginou fazer. A cada nova situação, Nong precisa rever suas convicções, aprender com seus erros, amadurecer e descobrir até onde está disposto a ir sem abrir mão daquilo que o fez entrar na política em primeiro lugar. E ele consegue? Só assistindo para vocês saberem. Mas, além de seus ideais, também somos confrontados com o passado e as escolhas de Nong, descobrindo que nem tudo é tão perfeito e limpo como a gente imaginava. Esse passado também é uma peça importante para entendermos quem ele é, principalmente seu caráter e seus valores. Por trás do médico idealista e do político que tenta encontrar seu espaço, existe um homem carregando arrependimentos, responsabilidades, culpa e decisões que ainda pesam sobre ele. Isso o torna humano e falho, e acabou afetando algumas vezes minha empatia e minha torcida por ele. E se Nong representa o idealismo tentando sobreviver dentro da política, Vee representa justamente o outro lado desse jogo. Ele conhece as regras, entende como esse sistema funciona e sabe que nem sempre é possível agir apenas de acordo com aquilo que se considera certo.
Vee foi um dos meus personagens favoritos por ser um homem assumidamente gay, empoderado, superinteligente, calculista, frio e um excelente jogador. Mas ele também revela seu lado humano através de seus ideais, traumas, conflitos familiares e da paixão pelo que acredita. E é justamente essa complexidade que torna sua relação com Nong tão interessante. Sendo bem sincero, a relação entre Nong e Vee é bastante secundária dentro desse denso enredo político. Não existe uma construção de sentimentos e relacionamento como estamos acostumados a ver em obras do gênero. Ela acontece de forma orgânica, simplesmente surgindo em meio ao pandemônio político que os dois enfrentam. Apesar de exalarem uma química natural, uma beleza saborosa e uma tensão sexual latente, faltam grandes gestos de amor ou aqueles beijos apaixonados que a gente tanto espera. Mal ganhamos um quengaral e, na minha opinião, o fogo deles acendia uma vela somente. O que mais se destacou para mim foram os momentos dos dois como ship político, as brincadeiras fofas e os carinhos trocados. Foram essas pequenas interações que me deram um pouco do BL que eu queria assistir, mas confesso que foram migalhas. E no fim, isso faz sentido dentro da proposta da série, porque, como já falei, o romance nunca foi o foco de "Mandate". Ele funciona muito mais como um tempero para aliviar a densidade do drama político do que como o prato principal.
Tecnicamente, "Mandate" também me chamou atenção pelo cuidado em construir esse universo político. Os figurinos não estão ali apenas para deixar os personagens elegantes, mas ajudam a contar quem eles são e de onde vieram. Isso fica especialmente evidente em Nong, cuja aparência vai mudando conforme ele entra nesse novo mundo, enquanto Vee mantém uma imagem mais sofisticada e alinhada à sua posição. Os cenários também ajudam a criar essa sensação de realidade política, demonstrando que a série não dependeu apenas dos diálogos para construir seu universo. Pesquisando, vi que esse cuidado conversa com a própria proposta da produção, que buscou tratar política e moda como elementos importantes de sua identidade visual.
Destaque também para o elenco coadjuvante, que entregou personagens muito marcantes, como a maravilhosa e feroz repórter Gale; o inescrupuloso Khunnawut, pai de Vee e líder do partido; o amigo de Nong e fotógrafo Jump; o carismático Neng, pai de Nong; e Sun, o charmoso e implacável ex-namorado de Vee e líder do partido opositor. Cada um trouxe uma personalidade diferente para a trama e ajudou a movimentar esse complicado jogo político. E não posso deixar de mencionar o restante do elenco secundário, que também não deixou nada a desejar e cumpriu muito bem seu papel, fazendo com que até os personagens com menos tempo em cena tivessem importância dentro da história.
Finalizando, minha nota vai ser um satisfeitíssimo 0️⃣9️⃣. Não chegou ao 10 porque, para mim, algumas pontas ficaram soltas e mereciam mais atenção. Com tantos plots importantes acontecendo um atrás do outro, algumas questões acabaram sendo apagadas ou simplesmente esquecidas pelo caminho. E ainda temos aquele final em aberto, que praticamente grita por uma segunda temporada. Será? O encerramento realmente deixa espaço para uma continuação, embora uma segunda temporada não esteja confirmada, segundo eu verifiquei. Mesmo assim, "Mandate" conseguiu entregar exatamente o que prometeu: um drama político com crítica social, sem transformar esse tema em algo chato ou tedioso. Tivemos reviravoltas inesperadas, tensão no limite, personagens bem construídos, atuações excelentes e um romance leve como bônus. E, para completar, assistir a essa série justamente durante o período eleitoral aqui no Brasil me fez refletir ainda mais sobre a política que vivenciamos atualmente.
📌 Nota: 09/10 👔❤️📊
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