Os seres humanos podem ser piores do que aqueles que já se foram ?
Os seres humanos podem ser piores do que aqueles que já se foram, principalmente quando fazem de tudo para chegar ao topo, usando violência e cometendo atrocidades apenas para conquistar poder. Mas será que isso, no fim, vale a pena? Esse foi o meu principal questionamento enquanto assistia ao dorama A Leste do Palácio.
A história e uma fantasia com visuais bem feitos e uma fotografia que demonstra de forma bastante consistente os sentimentos dos personagens e a atmosfera pesada do palácio, o que torna a série extremamente imersiva. Além disso, as atuações de todo o elenco são impecáveis.
É impressionante como a mensagem da série é muito bem construída, principalmente ao utilizar a Fantasma do Lago como uma metáfora de como as histórias são criadas e de como a manipulação é usada em prol daqueles que almejam cada vez mais poder. Além disso, ao meu ver, ela faz uma alusão clara à forma como as pessoas terceirizam seus erros e transferem a culpa para algo ou alguém sempre que isso as favorece, culpabilizando aqueles que ainda estão entre nós ou aqueles que, infelizmente, já partiram e nunca tiveram suas vozes ouvidas.
O enredo também é muito eficiente ao mostrar que, às vezes — ou quase sempre — devemos temer aqueles que estão vivos, pois eles podem ser ainda piores do que aqueles que já se foram. A série também aborda como os erros do passado continuam sendo repetidos dentro das famílias, seja por um ciclo que nunca se encerra ou pela criação que foi dada às gerações seguintes. Esse é o caso de um dos personagens centrais da trama, sobre o qual não darei spoilers, pois ele representa perfeitamente as consequências dos erros cometidos por aqueles que vieram antes dele. Infelizmente, preso em um ciclo vicioso, acaba repetindo os mesmos erros por causa de tudo o que vivenciou no ambiente em que cresceu.
Também acho interessante destacar a forma como o luto dos protagonistas é retratado. Desde o início, eles precisam enfrentar verdades difíceis e são obrigados a encarar de frente um luto que nunca foi verdadeiramente assimilado ou superado. Somente ao aceitarem essa dor conseguem seguir em frente e se perdoar por acontecimentos que, infelizmente, nunca estiveram ao seu alcance.
Isso é importante porque, mesmo diante das dificuldades e dos inúmeros desafios, os protagonistas ainda escolhem trilhar, de certa forma, o caminho do "bem". Em contrapartida, vemos outros personagens seguirem o caminho do ódio e da amargura. Muitos deles foram profundamente marcados pela criação que receberam e pelo ambiente em que cresceram, fatores que ajudam a compreender como se tornaram quem são. No entanto, a série deixa claro que esses traumas e circunstâncias não justificam as atrocidades que decidiram cometer. Consumidos por uma fome desenfreada de poder, acabam usando essa infelicidade para prejudicar outras pessoas, sejam membros de suas próprias famílias ou indivíduos considerados inferiores pelos padrões da época.
Enfim, a história acerta em cheio em sua proposta ao apresentar uma excelente jornada de evolução para seus personagens, que precisam enfrentar o próprio passado e lidar com segredos há muito escondidos. A série não romantiza aqueles que cometeram os piores crimes e deixa claro que todas as suas escolhas, por mais compreensíveis que possam parecer dentro de seu contexto, continuam sendo completamente erradas. Além disso, mostra que, muitas vezes, os fantasmas que acreditamos enfrentar não são nada comparados às pessoas que caminham ao nosso lado e que a soberba e a ganância podem trazer consequências devastadoras não apenas para quem as alimenta, mas também para todos ao seu redor.
A Leste do Palácio é, sem dúvida, uma das melhores séries do ano.
A história e uma fantasia com visuais bem feitos e uma fotografia que demonstra de forma bastante consistente os sentimentos dos personagens e a atmosfera pesada do palácio, o que torna a série extremamente imersiva. Além disso, as atuações de todo o elenco são impecáveis.
É impressionante como a mensagem da série é muito bem construída, principalmente ao utilizar a Fantasma do Lago como uma metáfora de como as histórias são criadas e de como a manipulação é usada em prol daqueles que almejam cada vez mais poder. Além disso, ao meu ver, ela faz uma alusão clara à forma como as pessoas terceirizam seus erros e transferem a culpa para algo ou alguém sempre que isso as favorece, culpabilizando aqueles que ainda estão entre nós ou aqueles que, infelizmente, já partiram e nunca tiveram suas vozes ouvidas.
O enredo também é muito eficiente ao mostrar que, às vezes — ou quase sempre — devemos temer aqueles que estão vivos, pois eles podem ser ainda piores do que aqueles que já se foram. A série também aborda como os erros do passado continuam sendo repetidos dentro das famílias, seja por um ciclo que nunca se encerra ou pela criação que foi dada às gerações seguintes. Esse é o caso de um dos personagens centrais da trama, sobre o qual não darei spoilers, pois ele representa perfeitamente as consequências dos erros cometidos por aqueles que vieram antes dele. Infelizmente, preso em um ciclo vicioso, acaba repetindo os mesmos erros por causa de tudo o que vivenciou no ambiente em que cresceu.
Também acho interessante destacar a forma como o luto dos protagonistas é retratado. Desde o início, eles precisam enfrentar verdades difíceis e são obrigados a encarar de frente um luto que nunca foi verdadeiramente assimilado ou superado. Somente ao aceitarem essa dor conseguem seguir em frente e se perdoar por acontecimentos que, infelizmente, nunca estiveram ao seu alcance.
Isso é importante porque, mesmo diante das dificuldades e dos inúmeros desafios, os protagonistas ainda escolhem trilhar, de certa forma, o caminho do "bem". Em contrapartida, vemos outros personagens seguirem o caminho do ódio e da amargura. Muitos deles foram profundamente marcados pela criação que receberam e pelo ambiente em que cresceram, fatores que ajudam a compreender como se tornaram quem são. No entanto, a série deixa claro que esses traumas e circunstâncias não justificam as atrocidades que decidiram cometer. Consumidos por uma fome desenfreada de poder, acabam usando essa infelicidade para prejudicar outras pessoas, sejam membros de suas próprias famílias ou indivíduos considerados inferiores pelos padrões da época.
Enfim, a história acerta em cheio em sua proposta ao apresentar uma excelente jornada de evolução para seus personagens, que precisam enfrentar o próprio passado e lidar com segredos há muito escondidos. A série não romantiza aqueles que cometeram os piores crimes e deixa claro que todas as suas escolhas, por mais compreensíveis que possam parecer dentro de seu contexto, continuam sendo completamente erradas. Além disso, mostra que, muitas vezes, os fantasmas que acreditamos enfrentar não são nada comparados às pessoas que caminham ao nosso lado e que a soberba e a ganância podem trazer consequências devastadoras não apenas para quem as alimenta, mas também para todos ao seu redor.
A Leste do Palácio é, sem dúvida, uma das melhores séries do ano.
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