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The 8 Show korean drama review
Completed
The 8 Show
0 people found this review helpful
by stypnexc
13 days ago
8 of 8 episodes seen
Completed
Overall 10
Story 10.0
Acting/Cast 10.0
Music 10.0
Rewatch Value 10.0

Crítica ao capitalismo

Deveria ser crime comparar uma obra de arte como essa com Squid Game. Essa série tem tantas camadas que squid game não conseguiu trazer e, o pior, o diretor de squid game acaba reproduzindo exatamente aquilo que critica na própria obra.

Enfim, como eu disse, essa série tem tantas camadas que só consegui entender e sentir na pele depois que completei a maioridade e encarei a vida adulta. Reassistir foi um misto de emoções desagradáveis e, a cada cena que passava, eu queria aplaudir o diretor pelo excelente trabalho.

1. O primeiro ponto notável, e muito bem feito é a forma com que a série é apresentada pra gente.

O jogo começa como se fosse uma fita VHS ou um CD antigo, e tudo acontece dentro de um cinema. Não sei se isso ficou claro pra todos, mas os espectadores existem, e somos nós.

Quando o Número 3 atira nas câmeras, me deixou pensativo, porque o telespectador - nós - quer que o jogo acabe, já que ele se tornou algo extremamente violento. A gente xinga quem está assistindo, mas no final a tela fica preta pra gente também.

E aí você percebe que esse diretor, filho de uma mãe, também estava brincando com a gente!!! Que talvez, os culpados pelo jogo não terminar nunca, éramos nós. Afinal, somos todos hipócritas. Todos fazemos parte do sistema e não tem escapatória. Estamos procurando uma fuga da realidade e acabamos caindo em um poço cheio dela, escondida nas entrelinhas. É uma das maiores críticas ao capitalismo, mas também representa um dos maiores sonhos da classe trabalhadora: ganhar dinheiro apenas deixando o tempo passar.
"Tempo é dinheiro"
2. A diferença de classe social é mostrada o tempo todo.

Desde o limpador de janelas olhando para aqueles escritórios luxuosos, até o palhaço que tenta ajudar a filha, mas não consegue pagar a cirurgia. E quando você vê o hospital percebe que nem sequer é um hospital de elite. Ou então a garota do Número 4, que sonhava em ser idol e acabou vendo esse sonho ser jogado no lixo. Algum artista lendo isso aqui? Pois é, soa familiar.

E tem mais viu O ABSOLUTE CINEMA acontece no final.

O Número 1 sobe até o alto, demonstrando sua vontade e determinação de chegar ao topo, mas acaba descendo mesmo depois de tanto esforço. A cena mostra o chão: uma região inferior, periférica, feia e apagada e sem cor. Lá em cima, vemos prédios enormes, janelas gigantes e uma paisagem bonita. Isso soa familiar? Só ir pra SP kkkk É, vocês sabem exatamente de qual lugar to falando.

3. No fim, somos apenas números.

Tudo o que importa é quanto você ganha e o quanto você é influente. Os ricos pisam nos pobres e abusam deles. Quando a série diz:
"Podemos comprar e vender, mas nunca realmente compramos nada. Nós nunca vamos sair do lugar em que estamos."
A meritocracia não existe a gente passa a vida trabalhando para manter um sistema que dificulta sair do lugar. Me lembra o feudalismo: os servos sustentavam os senhores feudais, mas nunca deixavam de serem servos.

Você nasce pobre, estuda a vida inteira em escola pública, começa a trabalhar aos 15 anos, faz enem, consegue uma bolsa pelo prouni e mal tem tempo para estudar, porque estudar também é um privilégio. E então, como a série mostra, seguimos correndo atrás na esperança de que alguma coisa mude.
"Quando os fracos se juntam, se tornam fortes. Amanhã será um novo dia e lutamos com a esperança de que amanhã conquistaremos aquilo que sempre quisemos."
Mas esse amanhã não chega, continuamos nos motivando para não morrer de desgosto. Esperamos pelo dia do pagamento, depois pela sexta, depois pela saída de final de semana, depois pelo feriado, e pelo fim de ano. Somos ratinhos numa rodinha. ♡

Os fracos se unem, vão às ruas, fazem protestos, mas raramente alguma coisa muda. Criam suas próprias comunidades, suas subculturas e redes de apoio para se fortalecerem e tentarem viver dias melhores, sempre alimentando a esperança de que algo vá mudar.
Até mesmo aqueles que dizem estar se rebelando contra o rebanho, muitas vezes fazem isso apenas se juntando a outro pensamento coletivo — Vampiro de almas, 1956.
Somos vítimas do sistema, somos hipócritas.

Se você estivesse no lugar de um milionário, o que faria hoje? Você seria diferente deles? Onde moraria? O que comeria? Como viveria? Enquanto isso, pessoas pobres continuam passando necessidade, morando em casas de madeira ou metal e trabalhando em jornadas exaustivas.

Você faria algo para mudar essa realidade? Ou iria atrás de ainda mais dinheiro? Mais casas? Mais comida? Mais poder?
"As pessoas compram experiências."
Fomos corrompidos, fruto do capitalismo.

OKAY!! A PRODUÇÃO:

Foda demais!!

Eu realmente não consigo expressar em palavras o quão significativa e bonita essa série é. A fotografia é linda. Tudo é muito bem enquadrado, centralizado e composto com cores que combinam entre si. A composição visual é LINDA. Meu pai, eu adoro composição fotográfica e cinematográfica, de verdade. Foi tudo tão bem pensado e executado que eu precisei me segurar para não chorar de emoção. Sabe..... 😿 Cada mínimo detalhe.....

A cena da tortura, com as danças, as alucinações e a música que btw que trilha sonora belíssima. Fiquei maluco, a edição, o cuidado com cada detalhe da cena, as atuações... eu quero chorar só de lembrar.

Essa cena foi pura arte. Tudo nela. Foi muito absolute cinema.

E viu só? No fim, não fui muito diferente da numero 8. Eu assisti e me senti como ela. Chorei, fiquei completamente emocionado, porque foi algo tão artístico, tão absurdamente sensível, que deu vontade de sair correndo pra pintar um quadro também.
"Eu preciso expressar isso de alguma forma."
Meu Deus, sério to muito eufórico, amo arte.

Essa série é tão boa que eu quero abraçar o diretor e toda a equipe de produção. Foi genial. Absolute cinema, mesmo. Ela enganou os personagens, me enganou, me colocou na posição de hipócrita, jogou verdades na minha cara e ainda me deixou completamente maluco. Sim, eu realmente senti que participei daquele show de horrores.

Pra fechar:

1. Um coitado que faria qualquer coisa por quem ama. Infelizmente, vítima de capacitismo.

2. A justiceira.

3. O humano. Representa todos nós. É o personagem mais próximo da normalidade.

4. Capacha, falsa e insegura. O famoso lambe chão de rico na esperança de conseguir uma promoção.

5. A corna mansa que levou tanta bordoada da vida que enlouqueceu.

6. Representação da violência e da natureza humana.

7. Esse é interessante e bem simples: tem 3 diplomas guardados na gaveta, um deles é um mestrado. É poliglota, fala 6 idiomas e possui mais de trinta certificados. O trabalho atual? Nenhum, tá desempregado. Tanto esforço para cair no mesmo jogo que um bando de necessitados sem formação que porém, recebeu a mesma oportunidade. 🥰 ai meritocracia sua danada.

8. Os ricos.
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