Rain entende melhor a série do que seu protagonista
A segunda temporada de Bloodhounds parece, por vezes, estranhamente convencida de que seu protagonista pode se comunicar como se ainda estivéssemos no cinema mudo. Woo Do-hwan passa boa parte da temporada reduzido a respostas monossilábicas, pedidos de desculpa e uma economia verbal que rapidamente deixa de parecer traço de personagem para soar como limitação de escrita. A responsabilidade, convenhamos, não recai apenas sobre o ator, mas sobre roteiristas e direção, que claramente decidiram transformar o protagonista em uma presença mais física do que verbal. Em compensação, Rain entende perfeitamente o tipo de exagero que a série exige e entrega um vilão impulsivo, violento e suficientemente carregado de presença para justificar o caos que provoca. É um antagonista funcional, irritante na medida certa e, sobretudo, divertido de assistir.
Narrativamente, a temporada abraça clichês com a tranquilidade de quem já desistiu de pedir desculpas por eles. As motivações que empurram o protagonista de volta à luta são preguiçosas, o retrato da polícia continua preso naquela caricatura habitual entre incompetência, covardia e corrupção, e ainda assim a série mantém movimento suficiente para não cair no tédio. Não há aqui grandes sofisticações dramáticas, tampouco ambições emocionais mais profundas. Trata-se de entretenimento de ação puro, com boas participações especiais, coadjuvantes de luxo e a nítida sensação de que a Netflix enxerga potencial de franquia, especialmente com a entrada de Park Seo-joon como possibilidade de expansão. O saldo? Entreteve. E essa talvez seja exatamente a única promessa que a temporada realmente precisava cumprir.
Narrativamente, a temporada abraça clichês com a tranquilidade de quem já desistiu de pedir desculpas por eles. As motivações que empurram o protagonista de volta à luta são preguiçosas, o retrato da polícia continua preso naquela caricatura habitual entre incompetência, covardia e corrupção, e ainda assim a série mantém movimento suficiente para não cair no tédio. Não há aqui grandes sofisticações dramáticas, tampouco ambições emocionais mais profundas. Trata-se de entretenimento de ação puro, com boas participações especiais, coadjuvantes de luxo e a nítida sensação de que a Netflix enxerga potencial de franquia, especialmente com a entrada de Park Seo-joon como possibilidade de expansão. O saldo? Entreteve. E essa talvez seja exatamente a única promessa que a temporada realmente precisava cumprir.
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