Grande marco na indústria
“Eu não estou do lado da primeira família, nem da segunda. Eu estou do seu lado.”
KinnPorsche é uma série que eu comecei há muito tempo (muito mesmo), larguei, voltei, larguei de novo e, mesmo assim, terminei. Não porque foi fácil, mas porque ela tem alguma coisa que simplesmente não te deixa ir embora. Então talvez isso aqui não seja uma análise 100% fiel ao que a série é, mas sim ao que ela deixou em mim.
Não tenho como começar sem falar do Kinn e do Porsche. Afinal, eles carregam a série nas costas.
O relacionamento deles começa completamente torto, desconfortável, com uma dinâmica de poder muito desigual e uma toxicidade que incomoda de verdade. Em vários momentos eu só conseguia pensar que aquilo não tinha como dar certo, que eles não funcionavam juntos e que seria melhor se afastarem. Só que, contra todas as expectativas, funciona.
E funciona porque a construção é bem feita. Não é rápida, não é perfeita e nem tenta ser. O desenvolvimento — principalmente do Kinn — é muito consistente. Ele é um personagem claramente afetado por traumas e relações passadas, alguém que não sabe lidar com sentimentos de forma saudável, mas que, aos poucos, vai mudando. Não de forma milagrosa, mas o suficiente pra transformar a relação em algo genuinamente bom.
E quando você percebe, já está completamente envolvida, sorrindo por qualquer interação mínima entre os dois, porque aquilo que começou errado demais vira algo estável, fofo e, dentro daquele universo, saudável.
Já o relacionamento entre Kim e Porchay tem uma energia completamente diferente.
Existe sentimento, existe carinho, mas também existe um descompasso muito claro. O Porchay sente muito, se entrega, enquanto o Kim parece emocionalmente distante durante boa parte do tempo, como se nunca estivesse totalmente presente. Isso deixa a relação meio incompleta, meio mal resolvida. Não chega a ser ruim — mas também não é satisfatória. Fica com cara de algo que começou na hora errada, com pessoas em níveis de maturidade diferentes. E o final deles reforça bastante isso.
Agora, sobre Vegas e Pete, não tem muito o que suavizar. Esse relacionamento ultrapassa qualquer limite aceitável (é nojento). Não é só tóxico, é abusivo em vários níveis: físico, psicológico e emocional. Teve um ponto em que simplesmente não dava mais pra assistir. Eu comecei tentando entender a proposta, mas depois de certas cenas ficou impossível continuar sem desconforto real.
Eu pulava mesmokkk
A série tenta justificar o Vegas com trauma, negligência e questões familiares, mas isso não sustenta o que ele faz. Não justifica e nem deveria. Nem todo personagem precisa de redenção e, nesse caso, tentar construir isso soa mais forçado do que qualquer outra coisa. O Pete é claramente uma vítima, e transformar aquela dinâmica em algo minimamente aceitável é uma escolha narrativa bem questionável. Foi, inclusive, o principal motivo de eu ter largado a série por meses.
É uma opinião bem pessoal, mas eu não consigo — e nunca vou conseguir — entender quem gosta desse casal.
Saindo dos relacionamentos, KinnPorsche é uma série extremamente bem produzida. A estética é bonita, a direção funciona, as cenas de ação são boas e prendem. O problema maior está na conveniência do roteiro. Informações importantes aparecem e somem no momento exato em que a história precisa, personagens morrem antes de revelar coisas essenciais e isso se repete o suficiente pra ficar evidente. Não chega a estragar a experiência, mas é algo que incomoda.
Uma coisa que funciona muito bem é o mistério em torno da família do Porsche. Ele não é completamente resolvido e isso deixa um espaço interessante pra interpretação.
Outra coisa que definitivamente vale a pena ser mencionada é a trilha sonora, principalmente “Free Fall”, que é um destaque absurdo!!
Quando a música volta no episódio final — dessa vez, no piano —, com o peso de tudo que aconteceu, é o tipo de cena que realmente bate. É bonito, é marcante e funciona emocionalmente.
No fim, KinnPorsche não é uma série leve e definitivamente não é pra todo mundo. Ela exige um certo nível de tolerância, principalmente por causa de algumas escolhas narrativas e relacionamentos problemáticos. Mas ainda assim, é uma série que vale a pena. Tem ação, tem tensão, tem momentos muito bons e, principalmente, tem um casal principal que compensa muita coisa.
E quando chega no final, fica claro que, apesar de tudo, Kinn e Porsche são o tipo de relação que, dentro daquele caos todo, realmente parece que daria certo até o fim.
KinnPorsche é uma série que eu comecei há muito tempo (muito mesmo), larguei, voltei, larguei de novo e, mesmo assim, terminei. Não porque foi fácil, mas porque ela tem alguma coisa que simplesmente não te deixa ir embora. Então talvez isso aqui não seja uma análise 100% fiel ao que a série é, mas sim ao que ela deixou em mim.
Não tenho como começar sem falar do Kinn e do Porsche. Afinal, eles carregam a série nas costas.
O relacionamento deles começa completamente torto, desconfortável, com uma dinâmica de poder muito desigual e uma toxicidade que incomoda de verdade. Em vários momentos eu só conseguia pensar que aquilo não tinha como dar certo, que eles não funcionavam juntos e que seria melhor se afastarem. Só que, contra todas as expectativas, funciona.
E funciona porque a construção é bem feita. Não é rápida, não é perfeita e nem tenta ser. O desenvolvimento — principalmente do Kinn — é muito consistente. Ele é um personagem claramente afetado por traumas e relações passadas, alguém que não sabe lidar com sentimentos de forma saudável, mas que, aos poucos, vai mudando. Não de forma milagrosa, mas o suficiente pra transformar a relação em algo genuinamente bom.
E quando você percebe, já está completamente envolvida, sorrindo por qualquer interação mínima entre os dois, porque aquilo que começou errado demais vira algo estável, fofo e, dentro daquele universo, saudável.
Já o relacionamento entre Kim e Porchay tem uma energia completamente diferente.
Existe sentimento, existe carinho, mas também existe um descompasso muito claro. O Porchay sente muito, se entrega, enquanto o Kim parece emocionalmente distante durante boa parte do tempo, como se nunca estivesse totalmente presente. Isso deixa a relação meio incompleta, meio mal resolvida. Não chega a ser ruim — mas também não é satisfatória. Fica com cara de algo que começou na hora errada, com pessoas em níveis de maturidade diferentes. E o final deles reforça bastante isso.
Agora, sobre Vegas e Pete, não tem muito o que suavizar. Esse relacionamento ultrapassa qualquer limite aceitável (é nojento). Não é só tóxico, é abusivo em vários níveis: físico, psicológico e emocional. Teve um ponto em que simplesmente não dava mais pra assistir. Eu comecei tentando entender a proposta, mas depois de certas cenas ficou impossível continuar sem desconforto real.
Eu pulava mesmokkk
A série tenta justificar o Vegas com trauma, negligência e questões familiares, mas isso não sustenta o que ele faz. Não justifica e nem deveria. Nem todo personagem precisa de redenção e, nesse caso, tentar construir isso soa mais forçado do que qualquer outra coisa. O Pete é claramente uma vítima, e transformar aquela dinâmica em algo minimamente aceitável é uma escolha narrativa bem questionável. Foi, inclusive, o principal motivo de eu ter largado a série por meses.
É uma opinião bem pessoal, mas eu não consigo — e nunca vou conseguir — entender quem gosta desse casal.
Saindo dos relacionamentos, KinnPorsche é uma série extremamente bem produzida. A estética é bonita, a direção funciona, as cenas de ação são boas e prendem. O problema maior está na conveniência do roteiro. Informações importantes aparecem e somem no momento exato em que a história precisa, personagens morrem antes de revelar coisas essenciais e isso se repete o suficiente pra ficar evidente. Não chega a estragar a experiência, mas é algo que incomoda.
Uma coisa que funciona muito bem é o mistério em torno da família do Porsche. Ele não é completamente resolvido e isso deixa um espaço interessante pra interpretação.
Outra coisa que definitivamente vale a pena ser mencionada é a trilha sonora, principalmente “Free Fall”, que é um destaque absurdo!!
Quando a música volta no episódio final — dessa vez, no piano —, com o peso de tudo que aconteceu, é o tipo de cena que realmente bate. É bonito, é marcante e funciona emocionalmente.
No fim, KinnPorsche não é uma série leve e definitivamente não é pra todo mundo. Ela exige um certo nível de tolerância, principalmente por causa de algumas escolhas narrativas e relacionamentos problemáticos. Mas ainda assim, é uma série que vale a pena. Tem ação, tem tensão, tem momentos muito bons e, principalmente, tem um casal principal que compensa muita coisa.
E quando chega no final, fica claro que, apesar de tudo, Kinn e Porsche são o tipo de relação que, dentro daquele caos todo, realmente parece que daria certo até o fim.
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