This review may contain spoilers
Potencial desperdiçado
"Os sentimentos costumam surgir por impulso. Eles não seguem lógica alguma e não podem ser explicados. Mas o tempo é diferente. O tempo tem o próprio peso. É ele quem separa o que é verdadeiro do que é falso, o que é vazio do que é real. No fim, só o tempo consegue distinguir tudo."
Deep In apresenta duas histórias em uma só. De um lado, Zhang Zhun, um ator que nunca conseguiu um papel de prestígio e que busca, pela última vez, o reconhecimento que sempre sonhou. Do outro, Zhen Xin, um ator já consolidado na indústria, vencedor do prêmio de melhor ator e dono de uma base sólida de fãs. Ambos são escalados para interpretar os protagonistas de um filme do gênero boys love. Como um casal na trama, eles precisam aprender como funciona um relacionamento entre dois homens, mas, à medida que o tempo passa, a linha tênue entre atuação e vida real vai ficando cada vez mais fina.
Por outro lado, temos Gao Zhun, personagem interpretado por Zhang Zhun. Gao Zhun é um artista que carrega um trauma profundo e extremamente pesado consigo. Desde então, ele não consegue seguir em frente com a própria vida e, por conselho da esposa, decide procurar ajuda na terapia. Fang Chi, personagem de Zhen Xin, é o psicólogo de Gao Zhun e, assim como na "vida real", a linha que separa a relação profissional dos dois vai ficando cada vez mais torta.
Eu queria TANTO elogiar essa série. Queria muito que a minha nota fosse lá nas alturas, até porque eu simplesmente amei os atores 😭!! Ollie e Shuyuan são tão fofos e carismáticos que acabei desenvolvendo um carinho gigantesco por eles. Mas quem disse que a trama dessa série ajuda em alguma coisa???? Eu torci MUITO para os episódios ficarem melhores, torci de verdade pela evolução do relacionamento entre Fang Chi e Gao Zhun e, ao mesmo tempo, agradecia aos céus por eles fazerem parte de uma história fictícia... hahaha...
Eu me decepcionei tanto com esse drama! A Bella sabe muito bem, meu deus, como sabe. Porém, como uma garota de coração partido, vou escrever separadamente sobre o que achei de cada uma das histórias. Acompanhem.
*SPOILER ABAIXO
¹ Zhang Zhun e Zhen Xin:
Zhang Zhun é um personagem tão profundo quanto a poça de água que se forma perto do ralo do chuveiro. Ele simplesmente não reage e, quando reage, é apenas no final do drama, quando decide terminar com Zhen Xin. Sinceramente, dentre todos os homens principais dessa série, ele é o mais "mais ou menos". Temos um personagem que, em tese, deveria ser a vítima de Zhen Xin: aquele que foi usado para ensaiar cenas do roteiro que só deveriam acontecer diante das câmeras, a vítima que foi manipulada e que aparentemente só existe para atender aos desejos do outro. Mas é só isso. Ele é isso e nada além.
Eu queria muito que a autora da novel tivesse dado um mínimo de empoderamento para esse menino. Foi criado por uma mulher, tem até noiva, mas o empoderamento ficou em casa. Ele não sabe dizer "não", não coloca limites e simplesmente aceita tudo calado. Quando reclama — e com razão —, dois minutos depois já perdoou. Zhang Zhun, homem... vamos nos valorizar? Vamos deixar de ser uma pedra?
Zhen Xin, ao contrário de Zhang Zhun, tem uma piscina um pouco maior e mais profunda. Ele também não tem exatamente um "porquê", mas pelo menos possui uma personalidade. Zhen Xin não é uma pessoa ruim, porém consegue moldar Zhang Zhun à própria vontade com muita facilidade, e isso é extremamente problemático quando sabemos que os sentimentos dele começaram pelo desejo e nada mais. Ele é obstinado e se mostra disposto a largar tudo para ficar com o homem que ama, mas a que custo, quando o relacionamento já começou completamente errado?
Ele consegue ser odiável e amável ao mesmo tempo. É extremamente fofo e carinhoso com Zhang Zhun à medida que o relacionamento deles evolui, mas isso vive em conflito com tudo o que aconteceu no início da "amizade" deles — se é que aquilo pode ser chamado de amizade.
É o mesmo homem que soltou a frase: "Eu não consegui me controlar". Sim. E eu quis dar um soco na autora por causa disso. Sabe? Acho que é um dom conseguir piorar a série a cada episódio.
Zhen Xin e Zhang Zhun passam a dividir o mesmo quarto de hotel por quinze dias, a pedido do diretor, antes das filmagens começarem. A partir daí, o relacionamento deles escala de uma forma muito rápida. Infelizmente, os primeiros episódios conseguem ser problemáticos de TODAS as formas possíveis.
Depois disso, porém, eles genuinamente se tornam um casal "saudável." Traindo as namoradas? Sim. Não passo pano. Mas também estavam se aceitando, se descobrindo e entendendo, pela primeira vez, o que era amar outro homem.
Minha cena favorita, definitivamente, é a da confissão. Quando Zhen Xin sacrifica o próprio estômago para comer a comida apimentada de que Zhang Zhun tanto gosta e anda 472 passos atrás dele. Quando finalmente o encontra, dessa vez é Zhang Zhun quem dá o último passo em direção a Zhen Xin e o beija.
Por mim, a série poderia acabar ali. Dane-se as tramas secundárias. Foi lindo, verdadeiramente lindo. Foi a primeira vez que os dois falaram com sinceridade um com o outro, expressaram e admitiram o que sentiam.
Senti que a separação deles no último episódio foi muito necessária, mas também muito mal explorada. Eu queria acompanhar a evolução dos sentimentos e das percepções de cada um em relação ao outro, mas não ganhamos nem o fio da gaita. O final deles foi apressado e meio viajado. Aí veio o plot final, tudo fez sentido e eu quis chorar.
De raiva.
² Gao Zhun e Fang Chi:
"Depois que eu o conheci, eu finalmente aprendi o que é o amor. Não é jantar, fazer compras ou ir ao cinema. É uma questão de vida ou morte. É de partir o coração."
Aqui eu vou ser mais breve porque entramos em um assunto sensível. É território Chernobyl.
Gao Zhun é... complicado. Temos um personagem absurdamente traumatizado, que convive constantemente com crises de pânico, não tem vida social e apresenta ideação suicida, mas que, AO MESMO TEMPO, também acaba agindo de forma manipuladora. Não vou me aprofundar nesse ponto porque é um tópico extremamente delicado e cheio de gatilhos, mas a forma como o trauma de Gao Zhun foi apresentada no início da trama realmente me chamou a atenção. Ele foi profundamente afetado pelo que viveu e, num primeiro momento, achei que a série faria uma ótima representação de vítimas de violência sexual, especificamente de homens adultos, que muitas vezes sentem vergonha de denunciar o ocorrido e reprimem tudo até simplesmente não conseguirem mais suportar.
Com uma premissa dessas, você imagina que a série vai tratar esse tema com maturidade. E ela até tentou. Mas aí chegou aquele episódio maldito — e, dali em diante, foi só ladeira abaixo.
Fang Chi... ah, Fang Chi. Quem é Fang Chi além de um psicólogo? Não sabemos. Do início ao fim da série, o personagem praticamente não recebe desenvolvimento. A função dele é existir para ser o médico e, depois, o parceiro romântico de Gao Zhun.
O relacionamento desses dois é de sangrar os olhos do início ao fim. Principalmente no fim. Foca no fim!!
Eu não faço ideia do que passava na cabeça do Fang Chi para fazer aquelas perguntas extremamente saudáveis — para não dizer o contrário. E também definitivamente não sei o que se passava na cabeça do Gao Zhun para achar que a solução de todos os problemas era dormir com o próprio psicólogo, fazer AQUILO dentro do carro (eu pulei essa cena, meu deus, que negócio desconfortável) e transformar uma relação que deveria ser estritamente profissional em um possível romance.
Só para deixar claro: Fang Chi também não é flor que se cheire. Eu sinceramente nem consegui entender quem começou as investidas problemáticas, mas é aquilo... doido com doido deve dar certo, né?
Enfim, é isso.
Após os créditos, temos uma cena extra em um escritório, na qual Fang Chi e Gao Zhun discutem um livro escrito por um amigo deles chamado Tong, inspirado na história dos dois. Ou seja, pelo que eu entendi, Zhang Zhun e Zhen Xin são personagens criados por Tong com base em Fang Chi e Gao Zhun. Dentro desse mesmo livro, ele teria inserido a história verdadeira dos dois, mas apresentada como uma encenação.
Mas também vi muita gente dizendo que as duas histórias seriam reais, apenas acontecendo em universos diferentes. Então sei lá 😃.
Só sei que eu terminei essa série triste. Muito triste.
No fim das contas, Deep In é uma série que tinha tudo para dar certo, mas parece fazer questão de desperdiçar o próprio potencial. O elenco é extremamente carismático, a direção consegue entregar cenas bonitas e as duas histórias partem de premissas que, nas mãos certas, poderiam render um drama memorável. Em vez disso, a série escolhe desenvolver relacionamentos problemáticos, apressar momentos importantes e entregar um plot final que mais me confundiu do que me surpreendeu.
Eu queria muito ter amado Deep In. Torci por ela até o último episódio, porque enxergava potencial em praticamente tudo o que ela apresentava. Mas potencial, sozinho, não sustenta uma história.
Deep In apresenta duas histórias em uma só. De um lado, Zhang Zhun, um ator que nunca conseguiu um papel de prestígio e que busca, pela última vez, o reconhecimento que sempre sonhou. Do outro, Zhen Xin, um ator já consolidado na indústria, vencedor do prêmio de melhor ator e dono de uma base sólida de fãs. Ambos são escalados para interpretar os protagonistas de um filme do gênero boys love. Como um casal na trama, eles precisam aprender como funciona um relacionamento entre dois homens, mas, à medida que o tempo passa, a linha tênue entre atuação e vida real vai ficando cada vez mais fina.
Por outro lado, temos Gao Zhun, personagem interpretado por Zhang Zhun. Gao Zhun é um artista que carrega um trauma profundo e extremamente pesado consigo. Desde então, ele não consegue seguir em frente com a própria vida e, por conselho da esposa, decide procurar ajuda na terapia. Fang Chi, personagem de Zhen Xin, é o psicólogo de Gao Zhun e, assim como na "vida real", a linha que separa a relação profissional dos dois vai ficando cada vez mais torta.
Eu queria TANTO elogiar essa série. Queria muito que a minha nota fosse lá nas alturas, até porque eu simplesmente amei os atores 😭!! Ollie e Shuyuan são tão fofos e carismáticos que acabei desenvolvendo um carinho gigantesco por eles. Mas quem disse que a trama dessa série ajuda em alguma coisa???? Eu torci MUITO para os episódios ficarem melhores, torci de verdade pela evolução do relacionamento entre Fang Chi e Gao Zhun e, ao mesmo tempo, agradecia aos céus por eles fazerem parte de uma história fictícia... hahaha...
Eu me decepcionei tanto com esse drama! A Bella sabe muito bem, meu deus, como sabe. Porém, como uma garota de coração partido, vou escrever separadamente sobre o que achei de cada uma das histórias. Acompanhem.
*SPOILER ABAIXO
¹ Zhang Zhun e Zhen Xin:
Zhang Zhun é um personagem tão profundo quanto a poça de água que se forma perto do ralo do chuveiro. Ele simplesmente não reage e, quando reage, é apenas no final do drama, quando decide terminar com Zhen Xin. Sinceramente, dentre todos os homens principais dessa série, ele é o mais "mais ou menos". Temos um personagem que, em tese, deveria ser a vítima de Zhen Xin: aquele que foi usado para ensaiar cenas do roteiro que só deveriam acontecer diante das câmeras, a vítima que foi manipulada e que aparentemente só existe para atender aos desejos do outro. Mas é só isso. Ele é isso e nada além.
Eu queria muito que a autora da novel tivesse dado um mínimo de empoderamento para esse menino. Foi criado por uma mulher, tem até noiva, mas o empoderamento ficou em casa. Ele não sabe dizer "não", não coloca limites e simplesmente aceita tudo calado. Quando reclama — e com razão —, dois minutos depois já perdoou. Zhang Zhun, homem... vamos nos valorizar? Vamos deixar de ser uma pedra?
Zhen Xin, ao contrário de Zhang Zhun, tem uma piscina um pouco maior e mais profunda. Ele também não tem exatamente um "porquê", mas pelo menos possui uma personalidade. Zhen Xin não é uma pessoa ruim, porém consegue moldar Zhang Zhun à própria vontade com muita facilidade, e isso é extremamente problemático quando sabemos que os sentimentos dele começaram pelo desejo e nada mais. Ele é obstinado e se mostra disposto a largar tudo para ficar com o homem que ama, mas a que custo, quando o relacionamento já começou completamente errado?
Ele consegue ser odiável e amável ao mesmo tempo. É extremamente fofo e carinhoso com Zhang Zhun à medida que o relacionamento deles evolui, mas isso vive em conflito com tudo o que aconteceu no início da "amizade" deles — se é que aquilo pode ser chamado de amizade.
É o mesmo homem que soltou a frase: "Eu não consegui me controlar". Sim. E eu quis dar um soco na autora por causa disso. Sabe? Acho que é um dom conseguir piorar a série a cada episódio.
Zhen Xin e Zhang Zhun passam a dividir o mesmo quarto de hotel por quinze dias, a pedido do diretor, antes das filmagens começarem. A partir daí, o relacionamento deles escala de uma forma muito rápida. Infelizmente, os primeiros episódios conseguem ser problemáticos de TODAS as formas possíveis.
Depois disso, porém, eles genuinamente se tornam um casal "saudável." Traindo as namoradas? Sim. Não passo pano. Mas também estavam se aceitando, se descobrindo e entendendo, pela primeira vez, o que era amar outro homem.
Minha cena favorita, definitivamente, é a da confissão. Quando Zhen Xin sacrifica o próprio estômago para comer a comida apimentada de que Zhang Zhun tanto gosta e anda 472 passos atrás dele. Quando finalmente o encontra, dessa vez é Zhang Zhun quem dá o último passo em direção a Zhen Xin e o beija.
Por mim, a série poderia acabar ali. Dane-se as tramas secundárias. Foi lindo, verdadeiramente lindo. Foi a primeira vez que os dois falaram com sinceridade um com o outro, expressaram e admitiram o que sentiam.
Senti que a separação deles no último episódio foi muito necessária, mas também muito mal explorada. Eu queria acompanhar a evolução dos sentimentos e das percepções de cada um em relação ao outro, mas não ganhamos nem o fio da gaita. O final deles foi apressado e meio viajado. Aí veio o plot final, tudo fez sentido e eu quis chorar.
De raiva.
² Gao Zhun e Fang Chi:
"Depois que eu o conheci, eu finalmente aprendi o que é o amor. Não é jantar, fazer compras ou ir ao cinema. É uma questão de vida ou morte. É de partir o coração."
Aqui eu vou ser mais breve porque entramos em um assunto sensível. É território Chernobyl.
Gao Zhun é... complicado. Temos um personagem absurdamente traumatizado, que convive constantemente com crises de pânico, não tem vida social e apresenta ideação suicida, mas que, AO MESMO TEMPO, também acaba agindo de forma manipuladora. Não vou me aprofundar nesse ponto porque é um tópico extremamente delicado e cheio de gatilhos, mas a forma como o trauma de Gao Zhun foi apresentada no início da trama realmente me chamou a atenção. Ele foi profundamente afetado pelo que viveu e, num primeiro momento, achei que a série faria uma ótima representação de vítimas de violência sexual, especificamente de homens adultos, que muitas vezes sentem vergonha de denunciar o ocorrido e reprimem tudo até simplesmente não conseguirem mais suportar.
Com uma premissa dessas, você imagina que a série vai tratar esse tema com maturidade. E ela até tentou. Mas aí chegou aquele episódio maldito — e, dali em diante, foi só ladeira abaixo.
Fang Chi... ah, Fang Chi. Quem é Fang Chi além de um psicólogo? Não sabemos. Do início ao fim da série, o personagem praticamente não recebe desenvolvimento. A função dele é existir para ser o médico e, depois, o parceiro romântico de Gao Zhun.
O relacionamento desses dois é de sangrar os olhos do início ao fim. Principalmente no fim. Foca no fim!!
Eu não faço ideia do que passava na cabeça do Fang Chi para fazer aquelas perguntas extremamente saudáveis — para não dizer o contrário. E também definitivamente não sei o que se passava na cabeça do Gao Zhun para achar que a solução de todos os problemas era dormir com o próprio psicólogo, fazer AQUILO dentro do carro (eu pulei essa cena, meu deus, que negócio desconfortável) e transformar uma relação que deveria ser estritamente profissional em um possível romance.
Só para deixar claro: Fang Chi também não é flor que se cheire. Eu sinceramente nem consegui entender quem começou as investidas problemáticas, mas é aquilo... doido com doido deve dar certo, né?
Enfim, é isso.
Após os créditos, temos uma cena extra em um escritório, na qual Fang Chi e Gao Zhun discutem um livro escrito por um amigo deles chamado Tong, inspirado na história dos dois. Ou seja, pelo que eu entendi, Zhang Zhun e Zhen Xin são personagens criados por Tong com base em Fang Chi e Gao Zhun. Dentro desse mesmo livro, ele teria inserido a história verdadeira dos dois, mas apresentada como uma encenação.
Mas também vi muita gente dizendo que as duas histórias seriam reais, apenas acontecendo em universos diferentes. Então sei lá 😃.
Só sei que eu terminei essa série triste. Muito triste.
No fim das contas, Deep In é uma série que tinha tudo para dar certo, mas parece fazer questão de desperdiçar o próprio potencial. O elenco é extremamente carismático, a direção consegue entregar cenas bonitas e as duas histórias partem de premissas que, nas mãos certas, poderiam render um drama memorável. Em vez disso, a série escolhe desenvolver relacionamentos problemáticos, apressar momentos importantes e entregar um plot final que mais me confundiu do que me surpreendeu.
Eu queria muito ter amado Deep In. Torci por ela até o último episódio, porque enxergava potencial em praticamente tudo o que ela apresentava. Mas potencial, sozinho, não sustenta uma história.
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