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A Tale of Thousand Stars thai drama review
Completed
A Tale of Thousand Stars
0 people found this review helpful
by Lenoca
12 days ago
10 of 10 episodes seen
Completed
Overall 10
Story 10.0
Acting/Cast 9.0
Music 10.0
Rewatch Value 9.0

Mais do que apenas um romance

“Eu quase morri uma vez. E agora... foi me dada uma outra oportunidade. Foi como se eu tivesse nascido de novo. Portanto, quero usar esta oportunidade para fazer algo pelos outros."

Eu realmente não sei por onde começar a falar sobre A Tale of Thousand Stars. Talvez porque, pela primeira vez em um bom tempo, terminei uma série completamente sem saber o que dizer sobre ela. Não porque tenha faltado alguma coisa para analisar, mas porque parece que qualquer coisa que eu escreva vai ser pequena demais perto do que essa história conseguiu despertar em mim. Eu não esperava absolutamente nada desse drama e, de alguma forma, ele conseguiu tocar meu coração de uma maneira que poucas séries conseguem.

Tian é um garoto rico e mimado que, depois de passar por uma situação que muda completamente sua vida, recebe uma segunda chance através de um transplante de coração. O coração que agora bate dentro dele pertencia a Torfun, uma jovem que morreu enquanto trabalhava como professora voluntária em uma pequena aldeia. Depois de descobrir a história dela e perceber que aquela nova oportunidade de viver está diretamente ligada à vida que ela deixou para trás, Tian decide ir até a aldeia onde Torfun viveu e continuar o trabalho que ela começou.

É a partir daí que conhecemos uma história que, apesar de possuir elementos bastante dramáticos, nunca parece precisar forçar suas emoções. A Tale of Thousand Stars consegue falar sobre luto, culpa, amor, pertencimento, amadurecimento e segunda chance de uma maneira extremamente natural. Até mesmo a comédia é utilizada com uma sutileza que combina perfeitamente com o ritmo da série. Nada parece estar ali simplesmente porque “precisa acontecer”. Os acontecimentos possuem tempo para se firmarem, os personagens possuem espaço para reagir e, principalmente, as relações vão sendo construídas aos poucos.

Tian é, sem dúvida, um dos personagens mais adoráveis que já encontrei em um BL.
Ele passa boa parte da história tentando entender o que fazer com essa segunda oportunidade que recebeu. Carrega culpa, inseguranças e a sensação constante de que precisa justificar o fato de estar vivo. Contar imediatamente para os moradores da aldeia que recebeu o coração de Torfun significaria também encarar todas essas questões de frente, e a série entende isso. A demora não existe apenas para criar drama: ela é consequência direta de quem Tian é.
Ele é um personagem muito bem construído, justamente porque você consegue entender suas inseguranças sem que elas sejam utilizadas como desculpa para suas atitudes. Tian erra. Ele faz besteira. Ele toma decisões ruins. Mas ele reconhece isso. Ele aprende com os próprios erros e está constantemente tentando se tornar uma pessoa melhor. Existe algo muito bonito na maneira como ele amadurece ao longo da série, porque sua transformação não acontece de uma hora para outra. Ele vai aprendendo com as pessoas ao seu redor, com a própria aldeia e, principalmente, com aquilo que viveu.

Phupha, por outro lado, é quase seu oposto. Ele é fechado, sério e parece manter uma barreira enorme entre si e praticamente todo mundo. É o tipo de personagem que não demonstra facilmente aquilo que sente e que prefere guardar tudo para si.
É por isso que a maneira como ele se comporta com Tian se torna tão especial. Desde o começo, Phupha implica com ele. Está constantemente pegando no pé do garoto da cidade, questionando se ele vai conseguir se adaptar àquela realidade e deixando bastante claro que não acredita que Tian vá durar muito tempo ali. Mas, por trás dessas pequenas intrigas, existe desde cedo uma atenção que Phupha simplesmente não consegue esconder.

E a relação entre esses dois é, sem dúvida, o coração de A Tale of Thousand Stars.

Eu já falei em outras avaliações sobre como gosto quando o romance não é necessariamente o centro de uma história. Quando existe uma trama principal acontecendo e o relacionamento dos protagonistas se desenvolve paralelamente a ela, adicionando uma camada a mais à narrativa. Mas Thousand Stars faz justamente o contrário. Aqui, a relação entre Tian e Phupha é o principal.

Quando uma série coloca o romance como seu principal foco, existe sempre o risco de transformar o relacionamento em uma sequência de acontecimentos obrigatórios: o beijo precisa acontecer aqui, a declaração precisa acontecer ali, eles precisam ficar juntos antes do final porque é isso que um romance precisa fazer, mas Thousand Stars nunca me passou essa sensação.
A relação dos dois se desenvolve de uma maneira tão orgânica que, quando você percebe, eles já estão completamente apaixonados. Eles cuidam um do outro, protegem um ao outro, demonstram carinho das mais diferentes formas e começam a ocupar um espaço enorme na vida um do outro muito antes de conseguirem admitir aquilo que estão sentindo.

E o mais bonito é que eles demoram.
Demoram muito.
Passam praticamente toda a história construindo uma relação que já parece um relacionamento antes mesmo de qualquer um dos dois ter coragem de chamá-la assim. Eles se conhecem, se provocam, brigam, cuidam um do outro e aprendem a enxergar o outro de uma maneira completamente diferente. E só conseguem realmente se permitir ficar juntos depois de tudo isso.
Acho que é justamente essa espera que faz o romance funcionar tão bem. O sentimento não existe porque o roteiro decidiu que eles precisavam se apaixonar. Ele existe porque a série passou tempo suficiente mostrando por que eles se apaixonariam.

E então existe Torfun. Talvez uma das coisas que mais me surpreendeu em A Tale of Thousand Stars seja o quanto a série consegue trabalhar o luto sem transformar Torfun em uma personagem que simplesmente deixou de existir depois de morrer.

Ela está presente o tempo inteiro. Não existe um episódio em que a história simplesmente esqueça que Torfun esteve ali. Os aldeões sentem sua falta. As crianças lembram dela. Phupha lembra dela. Tian conhece cada vez mais a pessoa que ela foi. E, acima de tudo, Tian precisa aprender a conviver com o fato de que existe uma pessoa morta dentro da própria vida.
A história poderia facilmente transformar Torfun em apenas um recurso narrativo para justificar a transformação de Tian. Mas não faz isso. Ela continua sendo uma pessoa, mesmo depois de sua morte. E isso torna toda a questão do transplante muito mais emocional.

“Todas as vezes, você provou para todos, o quanto você fez por eles e por Torfun. Talvez Torfun foi quem o escolheu... Para dar este coração a você.”

O coração de Torfun não serve apenas como o elemento que conecta os dois personagens. Ele se torna uma representação da própria culpa de Tian e da maneira como ele enxerga sua segunda chance. Durante muito tempo, parece que ele acredita que precisa fazer alguma coisa extraordinária para justificar o fato de ter recebido aquele coração.
E é por isso que acho tão bonita a trajetória dele. Tian começa querendo fazer algo pelos outros porque acredita que precisa dar um sentido à própria vida. Aos poucos, porém, ele realmente passa a se importar com aquelas pessoas. A aldeia deixa de ser apenas o lugar onde Torfun viveu e se transforma em um lugar que também pertence a ele.

A aldeia, aliás, é outro elemento que torna essa série tão especial. Ela realmente parece uma comunidade. Existe resistência à chegada de alguém de fora, existe desconfiança, existem conflitos e diferenças entre Tian e os moradores. Mas, ao mesmo tempo, existe uma sensação genuína de pertencimento que vai sendo construída aos poucos. Tian chega completamente deslocado daquela realidade e, depois de algum tempo, começa a fazer parte dela.
A escola é indispensável para a trama da série. Ela não está ali apenas como uma missão que Tian precisa cumprir. É através dela que ele cria vínculos, conhece aquelas crianças e começa a entender por que Torfun se apaixonou tanto por aquele lugar.

E talvez seja justamente isso que A Tale of Thousand Stars faça melhor: ela transforma lugares e pessoas em lar.

A fotografia da série também é simplesmente absurda. Existem cenas em que eu realmente parei para pensar “caralho, que coisa linda”. A natureza, a aldeia, as montanhas, a iluminação e a maneira como os personagens são enquadrados fazem com que a série tenha uma identidade visual muito forte. É uma daquelas obras em que você não precisa nem saber o que está acontecendo para perceber que aquela cena foi cuidadosamente construída.

E a trilha sonora só piora a situação para alguém emocionalmente instável como eu.
นิทานพันดาว (A Tale of Thousand Stars) é uma música que, depois dessa série, provavelmente vai conseguir me fazer chorar sem nem precisar de contexto. Toda vez que a música começava a tocar eu já estava comovidamente destruída.

No fim, acho que minha única crítica realmente significativa à série está justamente em algo que eu esperava que fosse mais explorado: o transplante de coração do Tian.
Eu entendo que o transplante não é o verdadeiro foco da história, mas, considerando que ele tinha recebido aquele coração há menos de um ano, eu esperava que a série abordasse um pouco mais as consequências disso. Acompanhamento médico, cuidados, exames, o próprio processo de adaptação... havia espaço para mostrar um pouco mais dessa realidade, principalmente porque o transplante é tão importante para a própria identidade do personagem.
Mas isso é uma crítica tão pequena perto de tudo que a série conseguiu fazer que quase parece injusto colocá-la aqui.

Até Our Skyy 2 me fez perceber o quanto a dinâmica de Tian e Phupha na série original funcionava bem. Nos episódios especiais, senti que parte daquela essência se perdeu em alguns momentos. Mas aí veio aquele pedido de casamento no final e eu simplesmente tive que aceitar tudo. Eles estão noivinhos. Noivos. Depois de tudo. Como é que eu vou reclamar? 😭

A Tale of Thousand Stars foi uma surpresa gigantesca para mim. Eu comecei sem esperar muita coisa e terminei completamente apaixonada por uma história que conseguiu ser delicada sem ser vazia, emocional sem precisar exagerar e romântica sem transformar o relacionamento dos protagonistas em uma sucessão de momentos obrigatórios.

É uma história sobre uma segunda chance, mas também sobre aprender que talvez você não precise passar o resto da vida tentando provar que merece estar vivo.

É sobre Tian descobrir que aquele coração não precisa representar apenas uma dívida com alguém que morreu. Pode representar uma nova vida.

É sobre Phupha finalmente permitir que alguém atravesse todas as barreiras que construiu ao redor de si.

É sobre Torfun continuar existindo através das pessoas que a amaram.

É sobre uma aldeia que deixa de ser apenas o lugar onde uma história começou e se transforma em lar.

E, acima de tudo, é sobre duas pessoas que passaram tanto tempo tentando entender o que sentiam que, quando finalmente se permitem ficar juntas, parece que o mundo inteiro estava esperando por aquele momento.

“Que esse lugar seja seu lar. Que possamos ficar aqui juntos, por muito tempo.” — Phupha.

(Eu não sei se existe uma nota alta o suficiente para essa série. 10 estrelas é pouco.)
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