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Completed
The Ravine of Goodbye
0 people found this review helpful
Jun 20, 2025
Completed 0
Overall 4.0
Story 4.0
Acting/Cast 8.0
Music 6.0
Rewatch Value 4.0

Desperdício de potencial

The Ravine of Goodbye é um filme que tinha tudo para ser impactante, mas tropeça nas próprias escolhas narrativas. Trabalha com duas histórias paralelas que, embora prometam convergir, acabam se anulando.

De um lado, temos um jornalista investigativo observando de perto o caso de uma mulher presa, acusada de assassinar o próprio filho. Do outro, a trama de uma mulher marcada por um estupro coletivo sofrido na adolescência, tentando recomeçar a vida ao lado de um dos estupradores, com quem agora é casada (inacreditável, eu sei). O elo entre as duas histórias seria esse homem: suposto envolvimento amoroso com a mulher acusada e, no passado, agressor da esposa atual.

Mas a promessa de conexão entre essas tramas nunca se cumpre de verdade. A narrativa em torno da mãe assassina parece deslocada, quase descartável. O mistério do crime não é desenvolvido, a criança nunca aparece em cena, e a suspeita de envolvimento do protagonista soa forçada e sem fundamento. Essa metade do filme é morosa, pouco envolvente e não acrescenta quase nada à experiência como um todo, além de arrastar o ritmo.

A segunda história, no entanto, é muito mais poderosa. Trata do trauma, da vergonha pública, da impossibilidade de seguir em frente, e do luto íntimo que uma mulher carrega por ter sido violentada.

A forma como o filme aborda o arrependimento do agressor também é um ponto forte. É possível sentir o quanto ele se envergonha do que fez, o quanto isso o assombra e o quanto ele busca desesperadamente o perdão. Não como redenção mágica, mas como um pedido de humanidade. Há algo de genuíno nesse arco, e talvez seja o único fio emocional verdadeiramente bem conduzido no filme.

Ainda assim, a condução geral da narrativa peca por escolhas questionáveis. O ritmo beira o slice of life, mas sem o charme ou a sensibilidade que esse estilo costuma exigir. É lento demais, disperso demais, e muitas cenas parecem existir apenas para ocupar tempo. Os momentos de silêncio não carregam densidade emocional, apenas a sensação de que o filme se alonga sem necessidade.

As cenas de sexo, com exceção da cena de estupro (angustiante, curta e filmada com o desconforto necessário), soam gratuitas, desconexas e desnecessariamente longas. São desconfortáveis não pelo conteúdo em si, mas porque parecem colocadas sem real propósito narrativo (mais uma entre várias decisões duvidosas da direção).

No fim, The Ravine of Goodbye deixa a sensação de um filme com grande potencial, especialmente por conta de seu segundo arco, mas que erra no foco e na execução.

É sombrio, carregado de temas fortes, e tem momentos de potência emocional real, mas desperdiça tempo demais com uma trama secundária mal amarrada. Não é um filme para qualquer um, e talvez nem tenha sido um filme para mim. Recomendo, mas com muitas ressalvas.

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Completed
Breath
0 people found this review helpful
Jun 18, 2025
Completed 0
Overall 7.0
Story 7.0
Acting/Cast 7.0
Music 10
Rewatch Value 7.0

Respirar como forma de sobreviver

Breath me surpreendeu de forma extremamente positiva.

Minha curiosidade inicial era saber como o filme lidaria com a barreira linguística, já que o protagonista é interpretado por um ator taiwanês em uma produção coreana. A solução encontrada é ótima: ele é um condenado à morte, um maníaco suicida que, logo nos primeiros minutos do filme, tenta se matar enfiando um objeto na garganta, o que o deixa fisicamente incapacitado de falar. É um silêncio imposto, mas profundamente simbólico.

A história gira em torno de uma mulher que, ao descobrir uma traição do marido, se vê emocionalmente sufocada. Sem saber ao certo o porquê, passa a visitar esse prisioneiro silencioso, cuja tentativa de suicídio repetidamente aparece no noticiário.

O título do filme, Breath, não poderia ser mais certeiro. Aquelas visitas se tornam para ambos momentos de pausa, de escape, de respiro diante da asfixia emocional em que vivem.

As cenas entre eles são de uma beleza desconcertante. Ela o visita em salas de encontro íntimo, que decora a cada vez com o tema de uma estação do ano. Leva um rádio, escolhe uma música simbólica, canta para ele e compartilha uma memória marcante que tem relação com aquela estação.

No começo, ele apenas a observa com desejo, o que é compreensível, considerando o isolamento e a solidão de anos numa cela cercado só por homens. Mas aos poucos o erotismo dá lugar a outra forma de intimidade. Ele relaxa, e ali, eles respiram juntos. Há uma entrega silenciosa, uma troca de vulnerabilidades.

É um filme sobre a necessidade vital de conexão, ainda que breve, ainda que improvável. Sobre como, em meio à dor, à traição, ao desespero, duas pessoas completamente diferentes podem se tornar a válvula de escape uma da outra.

A escolha estética de ter sempre apenas um dos personagens falando em cada cena reforça essa dualidade: o que se diz e o que se guarda.

O início do filme é mais morno, mas à medida que as visitas começam, o enredo ganha corpo. O ritmo melancólico é bem dosado, a estética dramática contribui para a imersão, e o simbolismo da respiração permeia toda a narrativa de forma comovente. Não é um filme perfeito, há escolhas que podem parecer excessivamente metafóricas ou abstratas, mas é uma experiência tocante e única.

No fim, é exatamente isso, um filme sobre duas pessoas que, mesmo em mundos opostos, se encontram no mesmo fôlego.

Recomendo.

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Completed
Lovers Vanished
0 people found this review helpful
Jun 17, 2025
Completed 0
Overall 1.0
Story 1.0
Acting/Cast 7.0
Music 6.0
Rewatch Value 1.0

Um desastre

Lovers Vanished é um desastre. Um filme que poderia ter sido denso, profundo, tocante, mas que acaba sendo apenas vazio e frustrante.

A direção é um dos maiores problemas. É excessivamente fragmentada, com cortes rápidos que sabotam qualquer tentativa de construir emoção, tensão ou profundidade. Cenas que deveriam durar são reduzidas a flashes, e assim o filme corre por cima da própria história como se estivesse apressado para acabar.

Não há fluidez, não há ritmo, não há envolvimento. O diretor parece mais interessado em pular de momento em momento do que em construir algo. E isso compromete tudo. As cenas não têm peso. Os personagens não têm tempo de existir. Eles não são desenvolvidos, não têm voz própria, apenas estão ali, perdidos num enredo que se desfaz a cada novo corte.

A premissa em si é interessante: um presidiário contrai HIV na esperança de ser libertado — o que não acontece — e então foge. Paralelamente, temos uma assistente de palco que se envolve num assassinato acidental, é protegida por um mágico que assume a culpa por ela, e contrai HIV dele, o mesmo mágico que depois transmite a doença ao protagonista.

Mas a execução é um desastre. A subtrama envolvendo a mágica é tão deslocada e artificial que beira o risível. Parece uma tentativa pretensiosa de adicionar simbolismo e camadas, mas o resultado é apenas forçado.

Falta densidade emocional, falta carga dramática, falta humanidade. Para um filme que se propõe a tratar da AIDS, um tema tão potente, é quase criminoso como o impacto da doença é negligenciado. Os personagens não reagem, não processam, não mudam. São apenas peças sendo arrastadas por uma narrativa rasa que tenta soar profunda, mas falha em todos os aspectos.

O único mérito vai para o elenco, especialmente Kim Namgil, que entrega uma atuação surpreendentemente boa, mesmo com o roteiro e a direção jogando contra ele o tempo todo. Ele dá tudo de si, mas sozinho não consegue salvar uma obra que se perde desde a primeira cena.

O que mais me incomoda é a sensação de desperdício. Dá a impressão de que o filme foi gravado em excesso e depois brutalmente picotado na edição, sem cuidado, sem critério, sem compromisso com o que deveria ser contado. E como o diretor também assina o roteiro, é impossível não responsabilizá-lo por esse desastre completo.

No fim, Lovers Vanished é um filme sem propósito e sem impacto. Um projeto que até poderia ter sido marcante (poderia?), mas não foi. Arrependida de ter assistido.

Não recomendo.

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Completed
The Light Shines Only There
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Jun 16, 2025
Completed 0
Overall 10
Story 10
Acting/Cast 10
Music 10
Rewatch Value 10

Dolorosamente lindo

Sabe quando um filme é tão bom desde o início que você já sofre só de saber que ele vai acabar? Foi exatamente essa a minha experiência com The Light Shines Only There. E o mais curioso é que ele é desconfortável e, ainda assim, eu queria permanecer mais tempo naquele universo cruel e melancólico.

A premissa é simples, mas executada com precisão e intensidade. Seguimos um homem solitário, carregando uma depressão que o afunda em jogos, bebidas e cigarros, que acaba criando uma amizade improvável com um ex-detento, um rapaz que é o completo oposto dele: espontâneo, animado, cheio de vida. A partir desse encontro, ele conhece a irmã mais velha do rapaz, uma mulher que se prostitui para sustentar a casa. E é com ela que nasce um romance tão torto quanto necessário.

A família desses dois irmãos vive em condições miseráveis. Tudo fede a abandono, dor e sobrevivência, e o filme não tenta aliviar esse retrato em nenhum momento.

Mas o que torna o filme tão poderoso é justamente a sensibilidade com que constrói as relações entre os personagens. A amizade entre os dois homens é uma das coisas mais bonitas do roteiro. O vínculo entre eles é tão genuíno que parece uma relação de irmãos. O romance com a irmã é igualmente intenso. E cada vínculo funciona como uma pequena fagulha tentando iluminar o abismo emocional em que todos se encontram.

O filme é triste, mas há beleza nessa tristeza. É bonito ver como o amor e a amizade oferecem pequenos respiros. É tocante ver o protagonista ganhando cor ao se apaixonar. É comovente quando ele deseja proteger alguém que já não sabe mais o que é ser protegida. E também é doloroso ver os três tentando escapar do inferno particular em que vivem.

A fotografia é impecável, crua, mas delicadamente bela. A direção é segura e sabe exatamente onde colocar a câmera para extrair o máximo de dor, desejo e desconforto. As cenas de nudez são conduzidas com uma maestria rara, especialmente ao contrastar o sexo cheio de afeto com o protagonista com o sexo mecânico, degradante e traumático com o antagonista.

Nada é gratuito aqui. Nem o sofrimento, nem a nudez, nem os silêncios, nem os gritos. O roteiro acerta ao se manter centrado nos dramas dos personagens, sem tentar abraçar temas demais. Os diálogos são realistas, a atmosfera é carregada e, mesmo com um ritmo lento, o filme prende. É aquele melodrama sombrio que sabe o que quer dizer e como dizer.

É difícil encontrar um filme que cause tanto incômodo e encanto ao mesmo tempo. The Light Shines Only There me deixou arrasada, tocada e apaixonada. Um filme para sentir na pele. E um dos melhores nessa temática que já vi.

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Completed
Wanee and Junah
0 people found this review helpful
Jun 15, 2025
Completed 0
Overall 5.0
Story 5.0
Acting/Cast 8.0
Music 10
Rewatch Value 5.0

Silêncios que pesam mais do que palavras

É difícil escrever sobre Wanee and Junah. Faz tempo que um filme não me deixava tão dividida entre o que senti e o quanto gostei.

Sei que gostei, mas até que ponto, eu ainda não sei. Talvez porque seja um filme que mais provoca do que responde, mais evoca do que entrega.

É uma história lenta, contemplativa, que funciona justamente por se passar numa cidade pequena do interior. O ritmo calmo da vida se espelha no tempo do filme.

Acompanhamos Wanee, uma mulher que vive com o namorado, Junah. Eles se amam, mas há uma desconexão sutil entre os dois, um ruído de fundo, um silêncio desconfortável. Algo que ela evita nomear.

Tudo começa a mudar quando Wanee recebe a notícia de que seu irmão está voltando. A partir daí, memórias esquecidas ou reprimidas começam a emergir. E quanto mais o passado vem à tona, mais ela se distancia do presente e de Junah, que tenta entender o que está se passando.

Aos poucos, o filme revela que a relação entre Wanee e o irmão ultrapassou o aceitável. Eles se apaixonaram. E a partida dele foi a ruptura silenciosa de algo que nunca teve permissão para existir. Esse sentimento mal resolvido a paralisa. Ela não consegue seguir em frente, não com verdade, não com entrega. E Junah, que claramente a ama mais do que é amado, se vê cada vez mais impotente diante desse afastamento silencioso.

Gosto muito da forma como o filme conduz essa revelação. Não há pressa. As memórias vêm aos poucos, sem estardalhaço, quase como se brotassem da melancolia. O passado e o presente se misturam de forma orgânica, embora às vezes confusa. As transições de tempo são sutis demais, e se não fosse por um detalhe mínimo como um corte de cabelo, seria quase impossível identificar o que é flashback.

Há escolhas de direção que me pareceram pouco funcionais. O filme dedica tempo demais às cenas dela trabalhando como animadora. Entendo a tentativa de dar um paralelo simbólico — ela se refugia no trabalho para fugir de casa, fugir de si mesma —, mas a execução cansa um pouco. Existem maneiras mais eficazes de mostrar esse afastamento emocional sem recorrer tanto ao cotidiano profissional, que parece deslocado do centro emocional da trama.

Ainda assim, Wanee and Junah tem méritos fortes: a fotografia é lindíssima, a atmosfera tem um peso melancólico envolvente, e há um cuidado visível em tratar o tema com delicadeza.

Mas também fica a sensação de que o diretor queria dizer algo profundo e íntimo, só não encontrou completamente o caminho. O filme promete um melodrama contido, cheio de silêncios dolorosos e sentimentos proibidos, mas por vezes hesita em mergulhar de fato neles.

No fim, Wanee and Junah é uma experiência sensorial. A gente sente mais do que entende. E talvez seja esse o ponto. Mesmo com seus tropeços, ele me marcou. Eu gostei. Mas com um pouco mais de entrega emocional, eu poderia ter amado.

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Completed
Grown-ups
0 people found this review helpful
Jun 13, 2025
Completed 0
Overall 8.0
Story 8.0
Acting/Cast 9.0
Music 10
Rewatch Value 10

Um retrato dolorosamente sutil da vida adulta

Grown-ups me pegou de surpresa, e de uma forma muito boa. É um filme slice of life, com o ritmo orgânico e por vezes entorpecido da vida real. Como o próprio título sugere, ele mergulha com delicadeza (e certa crueldade) no processo de amadurecimento, com foco especial nos momentos em que somos forçados a crescer mesmo sem estarmos prontos.

A protagonista acaba de descobrir uma gravidez inesperada e não tem certeza de quem é o pai: o namorado atual ou um antigo caso de uma noite. A partir daí, o filme alterna entre presente e passado, construindo aos poucos uma teia de lembranças, silêncios e decisões mal resolvidas. Esse jogo de tempos pode causar certa estranheza no início, mas logo se torna viciante. O passado serve como chave para decifrar o presente e a protagonista.

O que realmente me prendeu foi a construção da dinâmica entre ela e o namorado. Ele não é aquele tipo clássico de homem tóxico explosivo. Pelo contrário, sua toxicidade é sutil, rasteira, silenciosa. Está nos pequenos gestos, nos silêncios forçados, nas conversas que ele sempre conduz ao seu favor. A protagonista vai se apagando aos poucos. Ela cede o tempo todo. Sente que algo está errado, mas não consegue reagir. O olhar dela, a postura, até o tom de voz com ele muda.

A manipulação dele é refinada. Ele nunca grita, nunca agride, mas sabe exatamente como culpabilizá-la, como inverter a narrativa, como aplacar qualquer rebelião com frases como “Por que você está agindo assim?” e com isso planta nela a dúvida sobre o próprio desconforto. É um retrato afiadíssimo de um relacionamento abusivo emocional, onde o abuso se disfarça de normalidade.

O ponto alto do filme, para mim, é o clímax. Um diálogo longo, cru, real, em que finalmente ela se impõe. É uma cena tensa, com uma carga dramática explosiva que fecha tudo com chave de ouro. Ali, o filme entrega tudo que prometeu construir desde o início: o amadurecimento emocional de alguém que foi esmagada por tempo demais.

As atuações são excelentes, especialmente a do ator que interpreta o namorado. Sua linguagem corporal é um espetáculo à parte. Até nos momentos de silêncio, seu corpo fala. Os gestos de contenção, os sorrisos vazios, a forma como tenta suavizar os próprios erros, é de uma veracidade impressionante.

A narrativa é minuciosa, concentrada nos detalhes. Nada é jogado na cara do telespectador, e por isso tudo tem mais peso. Mesmo com o ritmo lento, o filme prende. Vi de madrugada, exausta, mas em nenhum momento bocejei. Me manteve em estado de atenção constante, como se cada silêncio dissesse mais do que qualquer fala.

Claro, há pequenos tropeços aqui e ali, mas nada que prejudique a experiência. Grown-ups é um filme sério, humano, real. É sobre os momentos em que a vida exige que cresçamos, especialmente quando dói. É principalmente sobre aprender a dizer não, mesmo quando tudo ao redor te ensinou a ceder.

Recomendo!

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Completed
Thirst
0 people found this review helpful
Jun 10, 2025
Completed 0
Overall 8.0
Story 8.0
Acting/Cast 9.0
Music 10
Rewatch Value 10

Uma surpresa gótica e grotesca

Thirst é um daqueles filmes que te pegam completamente desprevenido. Eu não tinha lido sinopse, como costumo fazer, fui pela capa e pelo elenco. Na minha cabeça, seria um filme de possessão sobre um padre exorcizando uma garota possuída. Então imagine o meu susto (e depois a minha fascinação) ao descobrir que, na verdade, era um filme de vampiros.

Logo nos primeiros minutos, fiquei hipnotizada. A fotografia é soberba, a direção é marcante em cada plano, e a assinatura do diretor é tão forte que parecia estar estampada na tela o tempo todo. É um filme visualmente impressionante, com efeitos especiais surpreendentemente bons para a época e uma maquiagem impecável, que reforça a atmosfera mórbida e surreal da história.

E que história doida e original. Um padre se voluntaria para testar uma vacina experimental contra uma doença letal. Então ele morre e volta à vida após ser infectado com sangue de vampiro durante a transfusão, e acaba se interessando pela esposa de seu amigo de infância. É estranho quando se resume assim, mas o modo como o roteiro desenvolve isso é autêntico, com muita identidade visual e bem interessante (eu garanto).

O tom do filme mistura tragédia, romance, horror e humor negro com uma naturalidade absurda. É tudo muito bizarro, perturbador, mas também estranhamente humano.

O elenco está brilhante, entregando atuações intensas e cheias de nuances, especialmente a dupla central, que conduz a trama com carisma e loucura crescentes. Eles tomam decisões cada vez mais imprevisíveis, e a narrativa segue por caminhos inesperados, mantendo a atenção do início ao fim.

É um filme violento e sexual, mas nada soa gratuito. A nudez, o sangue, os impulsos mais primitivos, tudo tem um propósito dentro da história. A sensualidade está ali, mas é desconfortável e distorcida. A violência choca, mas também revela as camadas de culpa, desejo, repressão e libertação dos personagens.

Park Chanwook sabe exatamente o quanto mostrar e quando.

Houve um momento em que senti o ritmo cair, especialmente quando os personagens começam a enlouquecer de vez, e a narrativa se torna mais errática. Mas logo o filme retoma o controle e volta a me surpreender.

Thirst é como assistir a uma versão adulta, ensanguentada e sexy da Família Addams: sombrio, excêntrico e, de forma estranha, divertido.

Recomendo fortemente para quem procura um filme que fuja do convencional, que provoque desconforto e risadas nervosas ao mesmo tempo.

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Completed
Fruit of Love
0 people found this review helpful
Jun 9, 2025
Completed 0
Overall 2.0
Story 2.0
Acting/Cast 5.0
Music 4.0
Rewatch Value 1.0
This review may contain spoilers

Um soft porn mal disfarçado de drama emocional

Fruit of Love é um exemplo claro de como uma premissa até poderia render algo instigante, mas afunda completamente na execução amadora, num roteiro raso e numa direção fetichista que transforma a proposta em algo quase ofensivo.

A trama é a de um “dark romance” barato, do tipo que se encontra perdido entre eBooks autopublicados na Amazon: um casal afundado em dívidas recebe uma proposta indecente de um empresário rico, ex-colega de escola deles, que oferece dinheiro para passar três meses com ela, seu antigo amor platônico. Como esperado, ela se envolve com ele emocionalmente, e a história tenta construir alguma tensão romântica a partir disso.

Mas o que poderia ser um drama passional se revela apenas um pretexto mal disfarçado para justificar longas (embora poucas) cenas de sexo mal filmadas.

A estrutura narrativa sofre com o erro clássico de "tell, don’t show". Ao invés de nos deixar sentir a história, o filme prefere personagens explicando tudo em diálogos expositivos e sem emoção. Momentos que poderiam ser carregados de tensão ou sentimento são reduzidos a falas desinteressantes que esvaziam qualquer potencial dramático. Em se tratando de uma obra audiovisual, essa escolha mata o impacto narrativo.

As cenas de sexo, por sua vez, escancaram o olhar masculino e fetichista da direção. A câmera está quase sempre centrada no corpo e nas expressões da mulher, buscando claramente excitar o espectador masculino. Isso por si só já incomoda, mas se torna revoltante na cena de estupro. Um momento que deveria ser retratado com seriedade e gravidade é filmado de forma fetichizada, como se fosse uma fantasia. A personagem repete que não quer, que não consente, e mesmo assim a câmera insiste em romantizar e erotizar a violência. A cena não tem propósito narrativo, não desenvolve personagem nem altera a trama de forma significativa. Serve apenas ao desejo sádico do diretor de provocar “prazer” visual com algo absolutamente condenável. É nojento e gratuito.

Os personagens são unidimensionais e têm falas rasas. O marido é o típico homem que não faz nada além de arrastar a esposa para o fundo do poço. Não trabalha, vive endividado, entrega a própria mulher a outro homem por dinheiro e ainda é tratado pelo roteiro como a escolha “certa” no final.

Já o empresário é o único que parece ao menos tratá-la com gentileza. Os dois têm química, e suas cenas juntos são as únicas que têm alguma centelha de autenticidade.

O filme tenta, de maneira falha e mal disfarçada, passar a mensagem de que “o dinheiro não traz felicidade” e que a vida simples e dura, ao lado de quem se ama, é o verdadeiro caminho. Mas como comprar essa ideia quando o marido é abusivo, passivo e conivente com o abuso sofrido pela esposa? E como ignorar que o final força a protagonista a escolher o retorno a essa vida miserável, ao invés de escolher ficar sozinha e passar a mensagem de que ela não precisa de ninguém para ser feliz?

O final é péssimo, incoerente, desconectado da realidade emocional construída (ou destruída) ao longo do filme. E revela muito mais sobre a visão machista e ultrapassada do diretor do que sobre qualquer arco narrativo que ele tenha tentado construir.

No geral, é um filme ruim. Amador, desconfortável, visualmente pobre (a fotografia é tenebrosa) e com uma abordagem questionável da sexualidade e do sofrimento feminino. Só não dou nota mínima porque as cenas da protagonista com o empresário ainda possuem alguma química, o resto é descartável.

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Completed
The Scarlet Letter
0 people found this review helpful
May 31, 2025
Completed 0
Overall 1.0
Story 1.0
Acting/Cast 7.0
Music 10
Rewatch Value 1.0

Terrível

Estou impressionada com esse filme. Nunca imaginei que pudesse ser tão ruim.

Até a metade, eu estava entretida. O roteiro parecia seguir uma direção relativamente sólida. A premissa era interessante: um detetive tenta solucionar um caso de assassinato, desconfiando da viúva, enquanto lida com um drama familiar envolvendo a esposa grávida e a amante, que também descobre estar esperando um filho. Parecia que o filme ia explorar esse conflito duplo, equilibrando o thriller policial com o drama pessoal, mas de repente nada mais faz sentido.

Nem consigo explicar exatamente o que aconteceu, porque o filme simplesmente abandona tudo que vinha construindo sem mais nem menos. O assassinato, que parecia ser o fio condutor, é rapidamente descartado, com um desfecho sem pé nem cabeça. E o drama familiar do protagonista? De repente se transforma, do nada, em um interminável suspense de sobrevivência, com ele preso no porta-malas do próprio carro junto da amante.

O que deveria ser um thriller investigativo com um drama psicológico se converte, sem transição alguma, num suspense aleatório que não tem absolutamente nada a ver com o tom inicial.

O suposto plot twist envolvendo a esposa e a amante consegue ser ainda mais absurdo e forçado, contribuindo para o completo descolamento entre a primeira e a segunda parte do filme.

Sinceramente, não entendi até agora qual foi o propósito do filme, se é que havia um. O diretor ainda tentou enfiar, de maneira nada sutil, a metáfora de Adão e Eva, com alguns simbolismos espalhados, mas o resultado ficou apenas pretensioso, vazio e, francamente, tenebroso.

Enfim, detestei. Não recomendo de jeito nenhum.

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Completed
Love Deeply!
0 people found this review helpful
May 30, 2025
9 of 9 episodes seen
Completed 0
Overall 6.0
Story 6.0
Acting/Cast 8.0
Music 6.0
Rewatch Value 6.0

Fofo

Eu gostei demais desse drama! Ele é tão fácil de maratonar, tão simples, despretensioso e fofo que rapidamente me vi apegada à história. Não há nada de complexo aqui, e é justamente essa simplicidade que me encantou.

A trama gira em torno de uma sereia que vai para a terra após sonhar que os humanos destruiriam seu lar, e acaba se envolvendo com o homem que lidera a construção de um observatório submarino. Quanto mais ela tenta impedir a obra, mais se apaixona por ele. E é apenas isso: uma história leve, de fantasia, com romance, algumas pitadas de comédia e uma pincelada de drama.

Claro que, mesmo sendo simples, poderia ter sido melhor. Algumas coisas não fizeram muito sentido ou ficaram sem explicação, mas, sinceramente, isso não atrapalhou a experiência.

Gostei demais do casal principal. A protagonista é um amor, toda doidinha, com um coração enorme, uma preciosidade. E o protagonista masculino também me conquistou. Ele parece mal-humorado à primeira vista, mas na verdade é tão fofo quanto ela, só que de um jeito estranhamente cômico e encantador. E a química dos dois é uma gracinha.

Acho que souberam equilibrar bem a comédia, me diverti bastante, embora talvez tenham exagerado um pouco nos personagens secundários, e a relação entre os três irmãos foi abordada de forma um pouco superficial e poderia ter rendido mais.

No geral, é um drama para passar o tempo. Não pretende fazer grandes reflexões, mas entretém, diverte e até conseguiu me emocionar em algumas cenas.

Recomendo com carinho, especialmente para quem quer algo leve e doce.

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Completed
Mars
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May 27, 2025
13 of 13 episodes seen
Completed 0
Overall 5.0
Story 5.0
Acting/Cast 7.0
Music 6.0
Rewatch Value 5.0

interessante

Mars é um drama que, apesar de ter muitos acertos, também comete vários deslizes.

Um dos maiores méritos está na forma como desenvolve um relacionamento que vai muito além da simples ideia de “estar apaixonado”. É uma relação de apoio mútuo, em que ambos se ajudam a superar traumas profundos, a recuperar a confiança em si mesmos e a amadurecer. Conforme o tempo passa, o carinho e o amor entre os dois se tornam palpáveis, e há uma naturalidade comovente nessa construção.

Acho que o drama acertou principalmente no desenvolvimento dos traumas centrais de cada um. A trajetória dela, lidando com o trauma do abuso cometido pelo próprio padrasto, é muito bem trabalhada: vemos como ela supera o medo de se aproximar de homens, aprende a fazer amigos e, eventualmente, consegue confiar o suficiente para viver um relacionamento amoroso. Da mesma forma, os traumas dele são bem contextualizados, ajudando a entender suas atitudes e inseguranças.

Gosto muito de como o contraste entre eles — ela, tímida e introvertida, e ele, livre, carismático e extrovertido — cria uma dinâmica em que um potencializa o que há de melhor no outro. Acompanhar a evolução do relacionamento foi como observar a vida real de um casal jovem: cheia de nuances, avanços e retrocessos, mas sempre verdadeira.

No entanto, o drama também apresenta falhas importantes. Sobretudo no começo, perde tempo demais com subtramas quase aleatórias, que pouco acrescentam à narrativa principal. Os personagens secundários, infelizmente, são mal desenvolvidos, com pouca personalidade e arcos superficiais. Parece que o roteiro não se preocupou em construir essas figuras com a mesma dedicação que teve com os protagonistas.

Outro problema é o desequilíbrio no tratamento dos traumas: enquanto os problemas do protagonista masculino recebem um foco excessivo, os da protagonista demoram a ser devidamente explorados. Além disso, algumas situações são tratadas de forma exagerada, especialmente no que diz respeito ao passado dele, fazendo com que certos momentos soem dramáticos além da conta.

Ainda assim, no geral, eu gostei bastante do drama. Ele tem seus desvios, seus exageros, mas o que mais me agradou foi a naturalidade conquistada ao longo dos episódios, a maneira como tudo flui com autenticidade. Só lamento que tenham insistido tanto em algumas subtramas desnecessárias, quando os traumas e o desenvolvimento dos protagonistas já eram mais do que suficientes para sustentar os 20 episódios.

Em suma: é um bom drama. Tem falhas evidentes, mas também uma sensibilidade na forma como trata a dor, a cura e o amor. Gostei e recomendo (com algumas ressalvas).

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Completed
Zeni Geba
0 people found this review helpful
May 22, 2025
9 of 9 episodes seen
Completed 0
Overall 5.0
Story 6.0
Acting/Cast 7.0
Music 2.0
Rewatch Value 5.0

Marcante

Preciso de um minuto para me recuperar, porque esse último episódio me fez chorar a cota do ano inteiro.

Zeni Geba foi um verdadeiro misto de sentimentos, um drama que oscilou constantemente entre o muito bom e o mediano, quase ruim, ao longo de todos os episódios, com exceção do último que foi, sem exagero, uma obra-prima.

A história é forte e extremamente interessante: um homem que, desde a infância, aprendeu da forma mais cruel possível como pode ser desesperador viver sem dinheiro. Criado sozinho, moldado pela dureza das ruas, ele desenvolve uma obsessão doentia por dinheiro, algo que o leva a enganar e até matar pessoas, acreditando piamente que todos, no fundo, são tão obcecados quanto ele.

Todas as cenas do passado são impecáveis, com um elenco fenomenal e uma carga dramática que me pegou de jeito. O ator mirim que interpreta o protagonista merece todos os elogios: não só segurou o papel como BRILHOU, com uma entrega rara de se ver.

Já as cenas no presente mergulham em uma escuridão sufocante.

Acompanhamos um homem que vai se destruindo e destruindo todos ao seu redor, convencido de que dinheiro é sinônimo de felicidade, que todos têm um preço e que a sobrevivência está acima de qualquer moral. E mesmo sendo praticamente impossível torcer por ele, afinal, ele já não possui empatia ou qualquer traço de humanidade, eu ainda assim torci. E chorei. Muito.

O drama levanta reflexões poderosas sobre desigualdade de classe e sobre como o capitalismo é uma máquina cruel, que esmaga e esfola as pessoas até não restar mais nada. Mas, ao mesmo tempo, senti que vários diálogos e reflexões foram conduzidos com certo amadorismo, como se faltasse sutileza ou profundidade em alguns momentos.

O ator protagonista também oscilou: entregou cenas arrebatadoras, com uma atuação visceral e impressionante, mas, em outras, acabou beirando o caricato. De toda forma, vai ser difícil esquecer dele gritando. Aqueles gritos de dor e desespero ficaram marcados.

Zeni Geba é um drama profundamente triste. Não há felicidade em momento algum, só uma espiral descendente que culmina num final devastador, quando o protagonista chega ao fundo do próprio desespero e solidão. E então, ele imagina: como teria sido sua vida se o dinheiro não tivesse determinado o seu destino? Se o pai não fosse alcoólatra e violento? Se a mãe não tivesse morrido de uma doença que poderia ser tratada com dinheiro? Se ele tivesse tido uma infância normal, sem precisar entregar jornais para conseguir uma refeição?

Essa sequência me destruiu. Depois de acompanhar toda a trajetória dele, entender suas motivações e, paradoxalmente, se afeiçoar a ele, vê-lo imaginando uma vida feliz que jamais pôde ter doeu demais.

Eu gostei muito desse drama e acho que ele é bom, mas também acredito que poderia ter sido muito melhor se não ficasse preso a essa oscilação de cenas mal conduzidas.

Quem sabe um dia não ganhe um remake nas mãos de um roteirista e diretor mais experientes, seria incrível.

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Completed
Lesson of the Evil
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May 17, 2025
Completed 0
Overall 9.0
Story 9.0
Acting/Cast 10
Music 10
Rewatch Value 10

Me surpreendeu

Que filme absolutamente bizarro e perturbador, E EU AMEI CADA SEGUNDO. Sério, parece que Lesson of the Evil foi feito sob medida para mim.

Eu sou apaixonada pelo subgênero slasher, e ver um slasher protagonizado por um psicopata tão carismático foi maravilhoso.

A construção da narrativa é excelente: a forma como o protagonista vai perdendo o controle aos poucos, mesmo sendo um sujeito meticulosamente calculista e absurdamente precavido, é incrível.

A primeira metade do filme é quase enganosamente calma, abordando os dramas escolares com naturalidade e interligando tudo com uma sutileza impressionante. Já a segunda metade é puro caos. Violenta, insana e viciante.

E aí entra o trunfo do filme: o protagonista. O carisma desse psicopata é tão absurdo que me vi rindo, me divertindo e até torcendo por ele em várias cenas. E o mais legal é vê-lo improvisando, adaptando seus planos conforme tudo vai saindo do controle. É um deleite acompanhar essa queda.

Os personagens são ótimos, os cortes de cena funcionam muito bem, a cinematografia é afiada e a trilha sonora tem aquele ar vintage que combina perfeitamente com a mente doentia (e charmosa) do protagonista. É um baita slasher, cheio de sangue e mortes, mas o que o torna especial é o fato de não ser só sobre um cara matando gente. Existe drama, existe construção, existe tensão. O protagonista é a história. E o filme te aproxima tanto dele que é impossível assistir de forma neutra.

Não é um terror feito para dar medo, é quase um terror cômico, não por conter cenas engraçadas, mas porque o carisma do protagonista transforma a violência em algo estranhamente divertido. Medonhamente divertido.

Recomendo muito para quem gosta de slashers que saem do óbvio, que querem algo mais estilizado, mais ousado, e não têm medo de se encantar pelo vilão (eu sempre).

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Completed
The Legend of the Blue Sea
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May 16, 2025
20 of 20 episodes seen
Completed 0
Overall 4.0
Story 4.0
Acting/Cast 8.0
Music 4.0
Rewatch Value 1.0

Frustrante

Sinceramente? Eu esperava mais de The Legend of the Blue Sea.

Apesar de ter gostado em certa medida, não dá pra negar que é um drama cheio de furos de roteiro, cenas convenientes demais, personagens que agem fora de coerência e uma história que simplesmente não justifica tantos episódios, o que acaba tornando tudo muito arrastado.

O que sustenta a série é basicamente o carisma do Lee Minho e a dinâmica entre o casal principal. Eles têm química, sim, e algumas cenas engraçadinhas, mas nem isso é tudo isso. No fim das contas, é um drama bobinho, estilo sessão da tarde, que não tenta ser nada além de um passatempo. Não me emocionou, não me fez refletir, não me tocou, mas me entreteve.

A narrativa entrelaçando passado e presente me cansou bastante. As cenas do passado quebravam o ritmo de forma bem incômoda, a ponto de eu cogitar pular essas partes (mas resisti com muito custo). A ideia tinha potencial, mas a execução não funcionou para mim.

Um dos furos que mais me incomodou foi a habilidade do protagonista como hipnotizador. O roteiro introduz isso como uma ferramenta importante, mas depois simplesmente esquece que ela existe. Era algo que poderia ter sido útil em várias situações, mas desaparece sem explicação. O típico descuido de roteiro.

Dei boas risadas em alguns momentos, e adorei o personagem do Lee Minho, que foi, sem dúvida, o que me manteve até o final. Sua personalidade, seus diálogos e a forma como as situações se desenvolviam ao redor dele foram os únicos elementos realmente interessantes. Se não fosse por ele, provavelmente teria abandonado o drama lá no começo.

Quanto à mocinha: não é que ela seja ruim, mas não consegui criar empatia. Talvez por causa do humor exagerado, quase pastelão, ou talvez pela frustração com algumas atitudes dela, como no começo, quando apaga completamente a memória dele sem necessidade (mais um furo: ela poderia ter apagado apenas o momento em que ele descobriu que ela era uma sereia, mas apaga tudo e ainda assim vai atrás dele logo em seguida? Não faz sentido e eu não engoli a explicação).

O final também me decepcionou bastante. Ao invés de se recuperar aos poucos no mar, ela simplesmente apaga a memória de todo mundo e reaparece anos depois. Totalmente frustrante.

Enfim, The Legend of the Blue Sea é um drama mediano que se apoia na comédia romântica e não entrega muito além disso. Tem seus momentos divertidos, mas tropeça feio quando tenta ser algo mais. Gostei sim, mas definitivamente não achei bom, muito menos memorável. Recomendo com muitas ressalvas.

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Completed
Hungry!
0 people found this review helpful
May 3, 2025
11 of 11 episodes seen
Completed 0
Overall 7.0
Story 7.0
Acting/Cast 8.0
Music 6.0
Rewatch Value 6.0

Me surpreendeu

Essa é uma daquelas resenhas que escrevo com o coração apertado, porque Hungry! me pegou de surpresa e me deixou com saudade dos personagens e da atmosfera gostosa do drama assim que terminou.



Adoro quando encontro essas pérolas escondidas que se revelam cheias de personalidade, carisma e originalidade.



A proposta é simples, mas muito cativante: um rapaz que sempre teve talento para a cozinha decide seguir o sonho de ter uma banda de rock. Ele insiste nisso até os 30 anos, sem sucesso, e após a morte da mãe decide assumir o restaurante da família. Nessa transição, ele acaba descobrindo uma nova vocação e um novo propósito de vida, tudo com o apoio dos antigos colegas de banda, que, assim como ele, também estão buscando um rumo.



É uma comédia dramática com toques de slice of life, bem humana e bem natural, focada em amizade, amadurecimento, redescoberta e na busca por algo que realmente os faça felizes.



O ritmo vai se acertando com o tempo. O primeiro episódio é um pouco caótico, mas a história se aprofunda a cada capítulo, e os personagens vão ganhando vida de um jeito tão sincero que foi impossível não me apegar.



O protagonista é aquele típico baixista arrogante, bocudo, grosseirão, mas com um bom coração escondido por trás da pose roqueira. Pena que ele não tinha nenhuma veia romântica (sofri, tá?).



E a protagonista feminina... que dor no coração. Ela é um amor de pessoa, e o sentimento não correspondido que carrega por ele me destruiu. A química entre os dois era visível, a conexão era genuína, e ela foi quem mais acreditou nele, quem mais o incentivou a seguir seu novo sonho, ao contrário da namorada, que queria que ele continuasse na música.



Fiquei com o coração em pedaços ao vê-la não sendo escolhida, mesmo com tantas demonstrações de afeto e apoio. O protagonista claramente sentia algo por ela, mas, por insegurança ou ignorância emocional, nunca teve coragem de admitir, e isso doeu, muito.



O drama tem sim alguns momentos de comédia exagerada e caricata, especialmente no começo, e o antagonista também parece meio aleatório, mas de alguma forma isso não atrapalha tanto. Com o tempo, até passei a gostar dele. O foco principal — o crescimento pessoal, a redescoberta e o valor das amizades — é tão bem conduzido que essas pequenas falhas se tornam toleráveis.



A única coisa que realmente me frustrou foi o desfecho do romance. Eu, iludida, acreditei até o fim que os dois ficariam juntos. A química estava ali, os sinais estavam todos ali, até o nome do restaurante foi escolhido pensando nela, mas o roteiro não seguiu por esse caminho, e confesso que isso me deixou com uma ferida aberta (um pouco frustrada também, confesso).



Mesmo assim, Hungry! é um drama muito especial. É leve, divertido, tocante e com um protagonista pelo qual vale a pena torcer, mesmo quando ele age feito um idiota estúpido. A jornada dele é sincera e cheia de amadurecimento. Recomendo muito, principalmente para quem gosta de histórias sobre recomeços, amizade e descobertas inesperadas da vida.

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